As classificações de Palmeiras e Atlético-MG nesta semana levantaram uma dúvida recorrente entre torcedores:
por que algumas competições levam um confronto empatado diretamente para os pênaltis, enquanto outras disputam primeiro 30 minutos de prorrogação?
A resposta está no regulamento de cada torneio.
Na Libertadores e na Sul-Americana, os confrontos eliminatórios de ida e volta vão diretamente para os pênaltis quando o placar agregado termina empatado. Não existe prorrogação nessas fases.
Na Champions League e na Europa League, ocorre o contrário: se o placar agregado termina empatado, são disputados dois tempos de 15 minutos antes de uma eventual decisão por pênaltis.
Por que Palmeiras x LDU foi direto para os pênaltis?
O exemplo mais recente aconteceu na Libertadores.
O Palmeiras venceu a LDU por 1 a 0 no primeiro jogo.
Na volta, em Quito, a LDU venceu por 3 a 2.
O placar agregado terminou:
Palmeiras 3 x 3 LDU
Assim que o árbitro encerrou os 90 minutos, a classificação foi decidida diretamente nos pênaltis.
Não houve dois tempos adicionais de 15 minutos.
Esse procedimento segue o formato utilizado pela Conmebol nas fases eliminatórias da Libertadores. A própria entidade registrou situações iguais durante a edição de 2026, como LDU x Mirassol e Independiente Rivadavia x Fluminense, que terminaram com definição por penalidades depois de empate no agregado.
O mesmo aconteceu com Atlético-MG x Santos
A regra também vale para a Copa Sul-Americana.
O Santos havia vencido o primeiro confronto contra o Atlético-MG por 2 a 0.
Na Arena MRV, o Atlético venceu por 4 a 2.
O agregado terminou:
Atlético-MG 4 x 4 Santos
Novamente, não houve prorrogação.
A partida foi diretamente para os pênaltis, e Gabriel Delfim defendeu três cobranças para classificar o Atlético.
A Conmebol já havia deixado explícito em outros confrontos da Sul-Americana de 2026 que, em caso de igualdade depois dos dois jogos, a definição ocorre “nos pênaltis, sem prorrogação”.
Como funciona na Libertadores?
Nas fases eliminatórias disputadas em ida e volta, a lógica é simples.
Somam-se os gols das duas partidas.
Exemplo
Jogo de ida:
Time A 2 x 0 Time B
Jogo de volta:
Time B 3 x 1 Time A
Agregado: 3 x 3
Resultado: pênaltis diretamente.
Não importa quem marcou mais gols fora de casa.
Também não existe prorrogação nessas eliminatórias.
Gol fora de casa ainda vale como desempate?
Não.
A antiga regra do gol qualificado fora de casa deixou de ser utilizada pela Conmebol.
Hoje, se dois clubes terminarem uma eliminatória com o mesmo número total de gols, jogar fora ou em casa não altera o peso desses gols.
Um gol vale exatamente o mesmo independentemente do estádio.
Ou seja:
2 x 0 em casa + derrota por 3 x 1 fora = 3 x 3 no agregado = pênaltis.
A Conmebol manteve em 2026 esse modelo sem gol fora de casa e com penalidades diretas nos mata-matas empatados.
Então nunca existe prorrogação na Libertadores?
Existe uma exceção importante: a final.
Como a decisão da Libertadores é disputada em partida única, um empate ao fim dos 90 minutos leva à prorrogação.
São:
- primeiro tempo de 15 minutos;
- segundo tempo de 15 minutos.
Se o empate continuar depois dos 120 minutos, o campeão é decidido nos pênaltis.
Foi exatamente assim, por exemplo, na final de 2021 entre Palmeiras e Flamengo.
Deyverson marcou durante a prorrogação e definiu o título palmeirense antes que fosse necessária uma disputa por penalidades. A própria Conmebol relembra o gol como tendo ocorrido na prorrogação daquela final.
E na Sul-Americana?
A estrutura é praticamente a mesma.
Nos confrontos de ida e volta das fases eliminatórias:
empate no agregado = pênaltis diretamente.
Não há prorrogação.
A Conmebol explicitou isso durante a própria Sul-Americana de 2026 ao explicar confrontos nos quais uma vitória por determinado número de gols levaria a série diretamente às penalidades, “sem alargue”.
Na final, disputada em partida única, a lógica muda.
Se houver empate depois dos 90 minutos, há prorrogação e, se necessário, pênaltis.
Como funciona na Champions League?
Na Champions, o regulamento da UEFA é diferente.
Se uma eliminatória de ida e volta terminar empatada no placar agregado, existe prorrogação.
São disputados mais 30 minutos:
- 15 minutos;
- troca de lado;
- mais 15 minutos.
Se continuar empatado, aí sim acontece a disputa por pênaltis.
O regulamento atual da UEFA para suas competições de clubes mantém essa sequência:
empate no agregado → prorrogação → pênaltis.
Europa League segue a mesma lógica
A Europa League utiliza exatamente o mesmo procedimento.
O regulamento 2026/27 determina que, se os clubes marcarem o mesmo número de gols ao longo dos dois jogos do mata-mata, são disputados dois tempos de 15 minutos de prorrogação.
Se o empate continuar, a vaga é decidida por pênaltis.
Portanto:
Conmebol 180 minutos empatados → pênaltis
UEFA 180 minutos empatados → 30 minutos de prorrogação → pênaltis
E a final da Champions?
A final é uma partida única.
Se os 90 minutos terminarem empatados, são disputados dois tempos de 15 minutos.
Persistindo o empate, ocorre a disputa de pênaltis.
O regulamento da UEFA especifica esse procedimento para a decisão de suas competições de clubes.
Por que os regulamentos são diferentes?
Não existe uma regra universal determinando que todos os torneios precisam escolher o mesmo modelo.
As Leis do Jogo estabelecem mecanismos permitidos para determinar um vencedor, mas cada organizador define no regulamento da competição como esses mecanismos serão usados.
Por isso, Conmebol e UEFA podem organizar seus mata-matas de maneiras diferentes.
No caso sul-americano, eliminar a prorrogação nos confrontos de ida e volta também reduz:
- desgaste físico;
- duração das partidas;
- risco de lesões;
- vantagem adicional de quem disputa o segundo jogo em casa.
Já a UEFA opta por manter os 30 minutos adicionais antes das penalidades.
Quem joga a volta em casa teria vantagem com prorrogação?
Esse é um dos principais argumentos utilizados quando se discute o formato.
Imagine um confronto de ida e volta.
O segundo jogo termina empatado no agregado.
Se existe prorrogação, o clube que recebeu o jogo de volta ganha mais 30 minutos diante de sua própria torcida e em seu próprio estádio.
Ao eliminar a prorrogação e ir diretamente aos pênaltis, a Conmebol evita esses 30 minutos adicionais de mando.
Isso não significa que os pênaltis eliminem completamente a vantagem de jogar em casa, mas reduzem o tempo extra disponível ao mandante.
Por que não vale mais gol fora?
Durante décadas, Libertadores e competições europeias utilizaram o gol fora de casa como critério.
Por exemplo:
Ida:
Time A 1 x 0 Time B
Volta:
Time B 2 x 1 Time A
Agregado:
2 x 2
No antigo regulamento, o Time A poderia avançar porque marcou um gol como visitante.
Hoje isso não acontece.
O confronto está empatado.
Na Libertadores, iria para os pênaltis.
Na Champions, iria para a prorrogação.
Pênalti marcado durante o jogo é diferente da disputa por pênaltis?
Sim.
Um pênalti cobrado durante os 90 ou 120 minutos faz parte do resultado oficial da partida.
A disputa de pênaltis ocorre depois que o jogo terminou empatado, apenas para determinar qual equipe avança ou conquista o título.
Por isso, um resultado pode aparecer assim:
Palmeiras 3 x 2 LDU — LDU venceu o jogo; Palmeiras venceu por 4 x 3 nos pênaltis.
Os gols da disputa não são adicionados ao placar do jogo ou ao saldo de gols.
A UEFA, por exemplo, deixa claro que os gols de uma disputa por pênaltis não entram no cálculo de seus coeficientes como gols ou resultado normal da partida.
Quantos pênaltis cada equipe cobra?
A disputa começa com cinco cobranças para cada equipe, realizadas alternadamente.
Se uma equipe construir uma vantagem impossível de ser alcançada antes das dez cobranças, a disputa termina.
Exemplo:
Time A marcou quatro.
Time B perdeu três e não pode mais alcançar o adversário.
Não é necessário completar todas as cobranças.
Se, depois de cinco cobranças para cada lado, continuar empatado, começa a chamada morte súbita.
Cada equipe realiza uma cobrança por rodada até que uma marque e a outra erre na mesma sequência.
Os mesmos jogadores podem cobrar novamente?
Sim, mas somente depois que todos os jogadores elegíveis tiverem executado uma cobrança.
A disputa segue as Leis do Jogo da IFAB, utilizadas tanto pela UEFA quanto pela Conmebol. O regulamento da Europa League, por exemplo, remete expressamente às regras da IFAB para a execução das penalidades.
Resumo: como funcionam os principais torneios
| Competição | Mata-mata empatado | Final empatada |
| Libertadores | Pênaltis direto | Prorrogação + pênaltis |
| Sul-Americana | Pênaltis direto | Prorrogação + pênaltis |
| Champions League | Prorrogação + pênaltis | Prorrogação + pênaltis |
| Europa League | Prorrogação + pênaltis | Prorrogação + pênaltis |
Por que essa diferença confunde tanto?
Porque o torcedor acompanha competições diferentes durante a mesma semana.
Na terça ou quarta-feira pode assistir à Libertadores e ver uma partida terminar aos 90 minutos com disputa imediata de pênaltis.
Pouco depois, acompanha a Champions e vê um confronto com exatamente a mesma situação de empate continuar por mais meia hora.
Não é erro de arbitragem.
Não é decisão tomada durante o jogo.
É simplesmente uma diferença de regulamento.
O regulamento pode mudar de uma temporada para outra?
Sim.
Organizadores podem modificar critérios de desempate entre edições.
Foi assim, por exemplo, com o gol fora de casa.
Por isso, sempre é importante consultar o regulamento da temporada específica.
Na edição de 2026 das competições sul-americanas, os mata-matas empatados seguem indo diretamente aos pênaltis.
Na temporada 2026/27 das principais competições de clubes da UEFA, a prorrogação continua existindo antes das penalidades.
Conclusão
Palmeiras x LDU e Atlético-MG x Santos mostraram na prática uma regra que ainda causa dúvida.
Na Libertadores e na Sul-Americana, se um mata-mata de ida e volta terminar empatado no placar agregado, não existe prorrogação: a decisão vai diretamente para os pênaltis.
Na Champions League e na Europa League, o procedimento é diferente.
Primeiro são disputados mais 30 minutos de prorrogação.
Somente se o empate continuar é que entram os pênaltis.
Nas finais em jogo único, tanto Conmebol quanto UEFA utilizam prorrogação antes das penalidades.
Portanto, quando uma partida termina empatada e parece que “faltou” a prorrogação, a explicação é simples:
cada competição possui seu próprio regulamento para definir quem avança.

























