A UEFA está trabalhando para encontrar um candidato capaz de disputar a presidência da FIFA contra Gianni Infantino na eleição marcada para março de 2027.
A informação foi confirmada nesta quarta-feira, 16 de setembro, pela vice-presidente da UEFA Laura McAllister, que afirmou que a entidade procura um nome com capacidade de construir apoio entre diferentes confederações e apresentar uma plataforma voltada a mudanças de governança, transparência e prestação de contas na FIFA.
Até o momento, nenhum adversário de Infantino foi oficialmente confirmado.
UEFA não exige que candidato seja europeu
Um dos pontos mais relevantes da declaração de McAllister é que a UEFA não pretende limitar a busca ao continente europeu.
Segundo a dirigente, o eventual candidato pode vir de qualquer uma das confederações da FIFA.
A prioridade é encontrar alguém capaz de construir apoio internacional e defender mudanças na estrutura de governança da entidade.
Isso amplia bastante o universo de possíveis nomes.
A FIFA possui 211 associações nacionais, e a eleição presidencial depende justamente dos votos dessas federações.
Eleição da FIFA será em março de 2027
A próxima eleição presidencial da FIFA está programada para 18 de março de 2027, em Rabat, no Marrocos.
Infantino pretende disputar um novo mandato.
As candidaturas precisam ser apresentadas antes do prazo oficial de novembro.
Por isso, a pressão para que uma alternativa seja construída aumentou nas últimas semanas.
Ainda não existe adversário confirmado
Apesar da movimentação política dentro do futebol, nenhum candidato alternativo foi oficialmente lançado.
Alguns nomes chegaram a ser discutidos publicamente nos bastidores, mas dirigentes citados em reportagens recentes descartaram entrar na disputa.
O principal desafio da oposição é justamente encontrar alguém capaz de obter apoio fora da Europa.
Uma candidatura baseada apenas nos votos da UEFA teria dificuldade para alcançar maioria entre as 211 federações.
Crise começou com projeto comercial da FIFA
A mobilização contra Infantino aumentou depois de uma proposta chamada FIFA Forward Enterprise, ou FFE.
O projeto previa a possibilidade de vender uma participação comercial em competições da FIFA, incluindo ativos relacionados à Copa do Mundo, para investidores externos.
A proposta encontrou resistência de diferentes setores do futebol e acabou sendo abandonada.
O episódio provocou críticas principalmente sobre o processo de tomada de decisão.
UEFA, AFC e Concacaf criticaram projeto
A reação não ficou restrita à Europa.
Segundo a Reuters, dirigentes ligados à:
- UEFA;
- AFC;
- Concacaf;
manifestaram preocupações sobre a proposta e sobre a forma como ela foi apresentada.
Isso é relevante porque mostra que o debate sobre governança da FIFA não envolve apenas uma disputa entre UEFA e Infantino.
FIFA abandonou proposta
Depois das críticas, a FIFA retirou o projeto.
A entidade anunciou também que uma revisão interna sobre a proposta será apresentada ao Conselho da FIFA.
A decisão, porém, não encerrou a discussão.
Dirigentes europeus continuam cobrando explicações sobre como o plano foi elaborado e quais mecanismos de supervisão existiram durante o processo.
Federação dinamarquesa lidera parte das críticas
Um dos dirigentes mais ativos nesse debate é Jesper Møller, presidente da Federação Dinamarquesa.
Ele criticou o Comitê Jurídico da FIFA por, segundo sua avaliação, não responder adequadamente às perguntas relacionadas à proposta comercial.
Møller também defendeu publicamente a necessidade de uma candidatura alternativa na eleição de 2027.
Algumas federações retiraram apoio a Infantino
A oposição também ganhou apoio em algumas federações nacionais europeias.
A Reuters informou que associações como a da Grécia retiraram apoio à reeleição de Infantino.
Outros dirigentes europeus também passaram a defender mudanças na liderança ou na estrutura de governança da FIFA.
Isso não significa, porém, que exista consenso global.
Infantino continua tendo apoio importante
Embora a pressão tenha aumentado, Infantino mantém apoio de diversas federações fora da Europa.
Segundo fontes ouvidas pela Reuters, ele conserva relações particularmente fortes em regiões como:
- África;
- Oceania;
- América do Sul;
- parte da Ásia.
Por isso, a construção de uma candidatura alternativa exige alianças muito além do bloco europeu.
UEFA fala em reforma, não apenas troca de presidente
McAllister destacou que o debate não deveria ficar restrito à identidade do presidente.
A dirigente citou mudanças relacionadas a:
- transparência;
- prestação de contas;
- processos internos;
- distribuição de poder;
- participação de diferentes grupos nas decisões.
Essa distinção é importante.
A oposição à atual gestão passou a discutir também possíveis mudanças institucionais, independentemente de quem vencer a eleição.
FIFPRO também cobra mudanças
A FIFPRO Europe, divisão europeia do sindicato internacional de jogadores, publicou nesta semana um relatório defendendo reformas no modelo de governança da FIFA.
A entidade criticou especialmente processos em que decisões comerciais de grande impacto são tomadas sem participação suficiente de jogadores, clubes e ligas.
Entre as propostas aparecem:
- maior participação de stakeholders;
- supervisão independente;
- mais transparência;
- revisão dos processos do Conselho da FIFA.
Debate também envolve dinheiro da Copa do Mundo
A discussão não é apenas institucional.
A FIFPRO Europe argumentou que, apesar do aumento das receitas da Copa do Mundo, a proporção destinada à premiação dos participantes caiu em relação ao total arrecadado.
Esse tipo de debate reforça a pressão para que clubes, jogadores e ligas tenham maior participação nas decisões econômicas da FIFA.
FIFA promete apresentar revisão ao Conselho
A própria FIFA confirmou que a análise do projeto FFE será apresentada ao Conselho.
A entidade procura mostrar que as críticas serão avaliadas internamente.
O resultado dessa revisão poderá influenciar o ambiente político antes da eleição.
Candidato precisa unir diferentes regiões
Esse talvez seja o maior obstáculo da UEFA.
A FIFA funciona segundo o princípio de que cada associação nacional possui um voto.
Isso significa que federações pequenas têm o mesmo peso eleitoral individual que gigantes do futebol.
Por isso, qualquer candidatura competitiva precisa construir apoio entre diferentes regiões e confederações.
McAllister reconheceu justamente essa necessidade ao afirmar que a alternativa não pode ser vista apenas como um projeto europeu.
Prazo começa a pressionar oposição
A eleição acontece apenas em março de 2027, mas o calendário eleitoral começa muito antes.
As candidaturas precisam ser formalizadas meses antes da votação.
Isso reduz o tempo disponível para:
- escolher um candidato;
- organizar uma plataforma;
- conquistar apoio internacional;
- montar alianças entre federações.
O movimento da UEFA ocorre justamente nesse período de construção.
Infantino está na FIFA desde 2016
Gianni Infantino foi eleito presidente pela primeira vez em 2016, depois da saída de Joseph Blatter.
Desde então, foi reeleito e consolidou sua influência sobre grande parte das associações nacionais.
Seu período no comando também coincidiu com mudanças importantes na estrutura do futebol internacional, incluindo:
- expansão da Copa do Mundo;
- criação e ampliação do Mundial de Clubes;
- aumento das receitas comerciais;
- novas competições;
- maior distribuição de recursos para federações.
Esses elementos fazem parte tanto dos argumentos apresentados por apoiadores da gestão quanto das discussões sobre concentração de poder na FIFA.
Próximos meses serão decisivos
O ponto central agora será saber se a oposição conseguirá transformar críticas institucionais em uma candidatura concreta.
Até o momento, existe:
- articulação;
- pressão pública;
- federações retirando apoio;
- debate sobre reformas.
O que ainda não existe é um nome oficialmente apresentado.
Conclusão
A UEFA decidiu ampliar sua pressão por mudanças na FIFA.
Laura McAllister confirmou que a entidade está procurando um candidato capaz de enfrentar Gianni Infantino na eleição presidencial de março de 2027.
O eventual concorrente não precisa ser europeu.
Segundo a vice-presidente da UEFA, o objetivo é encontrar alguém capaz de reunir apoio entre diferentes confederações e defender reformas relacionadas à transparência, governança e prestação de contas.
A movimentação ganhou força depois da controvérsia envolvendo o projeto FIFA Forward Enterprise, posteriormente abandonado.
Mas a situação ainda está aberta.
Infantino mantém apoio importante entre muitas federações, enquanto a oposição ainda precisa transformar sua insatisfação em uma candidatura formal.
Os próximos meses mostrarão se essa articulação resultará em uma disputa efetiva pela presidência ou principalmente em pressão por mudanças dentro da própria estrutura da FIFA.




















