Portugal chegou a Copenhague cercado por uma discussão que pouco tinha a ver com a Dinamarca.
Cristiano Ronaldo havia deixado a concentração da seleção antes da partida e Jorge Jesus precisava reorganizar o ataque sem o maior artilheiro da história portuguesa.
A resposta veio dentro de campo.
Portugal venceu a Dinamarca por 4 a 2, chegou à terceira vitória consecutiva na Nations League e, principalmente, mostrou que possui alternativas para distribuir a produção ofensiva quando Cristiano não está disponível.
João Cancelo, Gonçalo Ramos, Vitinha e João Félix marcaram os quatro gols portugueses.
Gonçalo Ramos mudou a referência do ataque
A primeira diferença esteve no comando da área.
Gonçalo Ramos assumiu a função de centroavante e não ficou restrito à finalização.
No primeiro gol, o atacante participou da construção ao servir João Cancelo, que abriu o placar.
Depois, apareceu como finalizador.
Após combinação com Bruno Fernandes, Ramos marcou o segundo gol português.
Assim, participou diretamente dos dois gols de Portugal no primeiro tempo.
Sua atuação mostrou uma possibilidade diferente para Jorge Jesus: utilizar um centroavante que também saia da área, participe das combinações e abra espaço para a chegada dos demais jogadores.
Portugal encontrou gols em quatro jogadores
O placar também mostrou uma distribuição pouco dependente de um único finalizador.
Os quatro gols foram marcados por jogadores diferentes:
João Cancelo
Gonçalo Ramos
Vitinha
João Félix
Isso não significa que Portugal seja necessariamente mais forte sem Cristiano Ronaldo.
O jogo contra a Dinamarca não permite uma conclusão desse tamanho.
Mas mostra que a seleção possui mecanismos ofensivos capazes de produzir gols sem depender exclusivamente de seu maior artilheiro.
Laterais também chegaram ao ataque
O primeiro gol é um exemplo importante.
Quem apareceu para finalizar foi João Cancelo.
Com Gonçalo Ramos participando da construção e outros jogadores ocupando a defesa dinamarquesa, o lateral encontrou espaço para avançar.
Essa capacidade de levar diferentes jogadores à zona de finalização torna Portugal menos previsível.
O adversário não precisa controlar apenas o centroavante.
Precisa acompanhar movimentos vindos do meio e das laterais.
Bruno Fernandes continuou como articulador
Mesmo sem marcar, Bruno Fernandes teve participação importante na organização ofensiva.
Foi dele a combinação com Gonçalo Ramos antes do segundo gol.
O meia continua sendo uma das principais conexões entre construção e ataque.
Isso também ajuda a explicar por que Portugal conseguiu alterar sua referência ofensiva sem desmontar completamente a estrutura da equipe.
O centroavante mudou.
A capacidade de Bruno Fernandes de acelerar jogadas e encontrar jogadores entre as linhas permaneceu.
Vitinha mostrou a força da chegada do meio
O terceiro gol português acrescentou outra característica.
Vitinha apareceu para marcar.
Quando um meio-campista consegue chegar à área e finalizar, a defesa adversária precisa tomar uma decisão adicional: acompanhar sua movimentação ou permanecer protegendo os atacantes.
Portugal explorou exatamente esse tipo de situação.
A equipe não concentrou sua presença ofensiva em apenas uma faixa do campo.
João Félix voltou a ser decisivo
João Félix fechou a vitória portuguesa.
O atacante já havia sido decisivo contra a Noruega e voltou a marcar diante da Dinamarca.
Para Jorge Jesus, essa sequência é especialmente relevante.
João Félix oferece mobilidade e pode ocupar diferentes espaços no ataque, aproximando-se do centroavante ou aparecendo entre as linhas.
Sua presença aumenta as possibilidades de combinação no último terço.
O problema esteve do outro lado do campo
O 4 a 2 também impede uma análise excessivamente positiva.
Portugal marcou quatro gols, mas sofreu dois.
Mikkel Damsgaard empatou o jogo no primeiro tempo.
Depois do intervalo, Damsgaard encontrou Rasmus Højlund, que voltou a igualar o placar.
Portugal precisou recuperar a vantagem duas vezes.
Portanto, enquanto o ataque mostrou variedade, a equipe ainda concedeu oportunidades suficientes para permitir que a Dinamarca permanecesse no jogo.
A vitória não prova que Portugal não precisa de Cristiano
Esse é o principal cuidado na interpretação da partida.
Cristiano Ronaldo possui um histórico e uma capacidade de finalização que nenhum outro jogador português reproduz exatamente.
Uma vitória por 4 a 2 sem ele não elimina sua importância.
O que a partida demonstra é algo diferente.
Portugal tem alternativas.
Gonçalo Ramos oferece presença e mobilidade como centroavante.
João Félix pode circular.
Bruno Fernandes e Vitinha chegam de trás.
Cancelo acrescenta profundidade.
Jorge Jesus, portanto, possui mais de uma maneira de construir o ataque.
Jorge Jesus ganha uma opção tática
Essa talvez seja a principal consequência do jogo.
Antes de enfrentar a Dinamarca, a ausência de Cristiano poderia ser interpretada simplesmente como perda de poder ofensivo.
Depois do 4 a 2, Jorge Jesus possui evidência competitiva de que outra configuração também funciona.
Isso não obriga o treinador a escolher entre Cristiano e Gonçalo Ramos.
Permite que tenha estruturas diferentes dependendo do adversário e do contexto da partida.
Em uma temporada internacional curta, essa flexibilidade pode ser importante.
Portugal abriu vantagem no Grupo A4
O resultado também teve consequência imediata na Nations League.
Portugal venceu os três primeiros jogos:
Portugal 1 x 0 País de Gales
Noruega 1 x 2 Portugal
Dinamarca 2 x 4 Portugal
São nove pontos em nove possíveis.
Com a derrota da Noruega por 2 a 1 para o País de Gales, Portugal abriu seis pontos de vantagem sobre os outros três integrantes do Grupo A4.
A próxima partida será novamente contra a Noruega, no domingo (4).
Conclusão
Portugal não descobriu contra a Dinamarca que joga melhor sem Cristiano Ronaldo.
Essa conclusão seria maior do que o jogo permite.
Descobriu algo mais útil.
A seleção consegue atacar de outra maneira.
Gonçalo Ramos participou da construção e finalizou. João Cancelo apareceu vindo de trás. Vitinha chegou do meio. João Félix voltou a marcar. Bruno Fernandes continuou conectando os setores.
Quatro gols, quatro autores diferentes.
Para Jorge Jesus, o 4 a 2 em Copenhague mostrou que a ausência de Cristiano não precisa obrigatoriamente significar um ataque sem referência.
Pode significar um ataque com referências distribuídas.

























