Clube contabiliza €414,2 milhões em 27 negociações desde 2022; Crias da Academia representam 66% das vendas, ocupam as cinco primeiras posições do ranking e ajudam a transformar formação de jogadores em uma das principais fontes de receita do Verdão.

O Palmeiras alcançou uma marca que ajuda a explicar uma parte importante de sua transformação financeira nos últimos anos.

Desde o início da gestão de Leila Pereira, em 2022, o clube calcula ter realizado €414,2 milhões em vendas diretas de jogadores, aproximadamente R$ 2,4 bilhões na conversão considerada pelo próprio Palmeiras.

Foram 27 negociações envolvendo atletas do futebol masculino.

Mas o número mais relevante não está apenas no total arrecadado.

Dos 27 jogadores vendidos, 18 foram formados nas categorias de base do Palmeiras.

Isso significa que aproximadamente 66% das negociações realizadas durante o período envolveram Crias da Academia.

E existe um dado ainda mais significativo: as cinco maiores vendas da era Leila são todas de jogadores formados pelo próprio clube.

Palmeiras chega a €414,2 milhões em vendas

O levantamento considera as negociações realizadas desde 2022.

No total, o Palmeiras calcula ter movimentado:

€414,2 milhões, aproximadamente R$ 2,4 bilhões, em 27 vendas diretas.

Os números consideram o valor total previsto nas operações, incluindo parcelas fixas e bônus estipulados nos contratos.

O cálculo não inclui receitas posteriores obtidas por percentuais que o Palmeiras eventualmente manteve sobre jogadores já vendidos.

Isso significa que o retorno econômico produzido por alguns desses atletas pode ser ainda maior.

Endrick continua sendo a maior venda

A maior negociação do período continua sendo Endrick.

O atacante foi negociado com o Real Madrid em uma operação que pode atingir:

€72 milhões.

Na sequência aparece Estêvão, vendido ao Chelsea por:

€61,5 milhões.

As duas operações, somadas, chegam a €133,5 milhões.

Mas a lista de grandes vendas da base não termina nos dois atacantes.

Allan entra no top 3

A negociação mais recente colocou Allan entre as maiores vendas da história palmeirense.

O Manchester City acertou uma operação de:

€40 milhões entre valores fixos e variáveis.

Na cotação utilizada na negociação, o pacote se aproxima de R$ 240 milhões.

Allan passou a ocupar a terceira posição entre as maiores vendas realizadas durante a gestão Leila Pereira.

O negócio também teve impacto direto nas metas financeiras do Palmeiras para 2026.

As cinco maiores vendas são Crias da Academia

O ranking das cinco maiores negociações mostra claramente a importância da formação de jogadores:

  1. Endrick → Real Madrid: €72 milhões
  2. Estêvão → Chelsea: €61,5 milhões
  3. Allan → Manchester City: €40 milhões
  4. Vitor Reis → Manchester City: €37 milhões
  5. Luis Guilherme → West Ham: €30 milhões

Somadas, essas cinco operações chegam a:

€240,5 milhões.

Isso representa aproximadamente 58% dos €414,2 milhões contabilizados nas 27 vendas do período.

Ou seja, apenas cinco jogadores formados pelo Palmeiras respondem por mais da metade do valor total movimentado nas vendas diretas desde 2022.

Base representa 66% das negociações

Dos 27 jogadores negociados pelo Palmeiras no período, 18 foram formados no clube.

São eles: Endrick, Estêvão, Allan, Vitor Reis, Luis Guilherme, Danilo, Kevin, Gabriel Veron, Giovani, Jhon Jhon, Vanderlan, Patrick de Paula, Thalys, Kaique, Naves, Fabinho, Wesley e mais atletas formados dentro da estrutura palmeirense contabilizados no levantamento do clube.

O resultado é uma participação de aproximadamente:

66% das vendas.

Esse percentual mostra que a base deixou de ser apenas uma fornecedora ocasional de jogadores para o profissional.

Ela se tornou parte estrutural do modelo econômico do Palmeiras.

Formação possui uma vantagem financeira importante

Existe uma diferença fundamental entre vender um jogador formado no clube e negociar um atleta comprado no mercado.

Quando um clube contrata um jogador por €20 milhões e depois o vende por €30 milhões, os €30 milhões não representam lucro integral.

Existe um valor contábil relacionado à aquisição do atleta que precisa ser considerado.

Com jogadores formados na base, a dinâmica é diferente.

Os custos de formação existem e podem ser relevantes, mas não há uma grande taxa de transferência inicial sendo amortizada como acontece em uma contratação externa.

Por isso, grandes vendas de jogadores formados internamente tendem a produzir margens contábeis muito mais elevadas.

É exatamente por isso que academias eficientes possuem tanto valor para clubes modernos.

Palmeiras transformou formação em ativo estratégico

O sucesso não surgiu apenas quando Endrick apareceu no profissional.

Nos últimos anos, o Palmeiras investiu em estrutura, captação, formação, metodologia e integração entre categorias.

O resultado aparece em duas dimensões.

A primeira é esportiva: jovens passaram a alimentar regularmente o elenco profissional.

A segunda é financeira: esses jogadores começaram a ser vendidos para alguns dos maiores clubes do mundo.

Real Madrid, Chelsea, Manchester City e West Ham aparecem entre os compradores.

Isso coloca a Academia do Palmeiras diretamente dentro do mercado internacional de talentos.

Manchester City comprou dois dos cinco maiores ativos

O Manchester City passou a ocupar posição importante nesse fluxo.

O clube inglês adquiriu Vitor Reis por €37 milhões e agora acertou a chegada de Allan por €40 milhões.

Somadas, as duas operações podem atingir:

€77 milhões.

O valor mostra como clubes da Premier League passaram a acompanhar de perto a formação brasileira.

Para o Palmeiras, ter jogadores observados por clubes desse nível aumenta o potencial de competição entre compradores e, consequentemente, de valorização dos ativos.

Richard Ríos é a exceção importante

Nem todo o modelo depende da base.

Richard Ríos é um exemplo de outra estratégia que também produziu retorno elevado.

O Palmeiras contratou o colombiano junto ao Guarani em 2023 por aproximadamente:

R$ 6 milhões.

Dois anos depois, vendeu o meio-campista ao Benfica por:

€30 milhões.

Foi a maior venda da era Leila entre jogadores que não foram formados na Academia.

O caso mostra uma segunda possibilidade de geração de valor: identificar atletas subvalorizados, desenvolvê-los esportivamente e revendê-los por cifras muito superiores.

Nove vendidos vieram de fora da base

Além de Richard Ríos, outros jogadores contratados pelo Palmeiras e posteriormente negociados também contribuíram para a receita.

Entre eles aparecem nomes como Facundo Torres, Rony, Aníbal Moreno, Rafael Navarro, Merentiel, Luan, Zé Rafael e Bruno Tabata.

Em vários desses casos, a venda também teve outra função: abrir espaço no elenco e recuperar parte do investimento realizado anteriormente.

Isso é diferente do modelo das Crias da Academia.

Na base, o objetivo central é criar valor.

Nos jogadores contratados, muitas vezes a venda também funciona como gestão de portfólio do elenco.

Jhon Jhon mostra valor de manter percentual

Outra operação interessante envolve Jhon Jhon.

O Palmeiras inicialmente negociou o jogador com o Red Bull Bragantino por:

€7 milhões.

Mas manteve 20% dos direitos econômicos.

Quando o atleta foi posteriormente negociado com o Zenit, em 2026, o Palmeiras voltou a receber dinheiro mesmo sem o jogador pertencer integralmente ao clube.

Esse mecanismo é importante porque mostra que o valor de uma transferência não necessariamente termina no momento da primeira venda.

Manter percentuais sobre atletas jovens pode gerar novas receitas se eles continuarem se valorizando.

Riquelme Fillipi pode ser o próximo

A lista pode crescer nos próximos dias.

O Palmeiras encaminhou a negociação de Riquelme Fillipi com o Inter Miami, dos Estados Unidos.

As conversas envolvem uma transferência de 60% dos direitos econômicos do atacante de 19 anos.

Os valores discutidos estão entre:

€5,5 milhões e €6 milhões.

As partes já iniciaram a troca de documentos para formalizar a operação.

Mas, neste momento, a venda ainda não deve ser tratada como oficialmente concluída.

Palmeiras pode manter 40% de Riquelme

A estrutura da negociação é particularmente interessante.

Se vender 60% dos direitos econômicos, o Palmeiras continuará exposto a uma valorização futura do jogador por meio dos 40% restantes, dependendo da redação final do contrato.

Esse tipo de operação permite gerar caixa agora sem abandonar completamente o potencial econômico futuro do atleta.

Para um jogador de apenas 19 anos, isso pode ser relevante.

Vendas de 2026 já chegam perto da meta anual

O Palmeiras também havia estabelecido uma meta elevada para vendas nesta temporada.

O orçamento de 2026 previa aproximadamente:

R$ 399,6 milhões em receitas com negociações de jogadores.

Com as operações realizadas e encaminhadas até esta semana, o clube calculava aproximadamente:

R$ 344 milhões.

Isso representa cerca de:

86% da meta anual.

A venda de Allan foi decisiva para aproximar o clube do objetivo previsto no orçamento.

Allan sozinho muda o cenário de 2026

A operação com o Manchester City representa aproximadamente R$ 240 milhões entre valores fixos e variáveis.

Isso significa que uma única venda corresponde a uma parcela enorme da receita projetada pelo Palmeiras com transferências em 2026.

Esse é também um exemplo do risco existente em orçamentos muito dependentes de negociação de atletas.

Vendas extraordinárias podem produzir receitas enormes.

Mas não são necessariamente repetíveis todos os anos.

Base reduz dependência de contratações para gerar ativos

Uma das vantagens estratégicas da Academia está justamente nesse ponto.

Um clube que depende exclusivamente de comprar jogadores para revendê-los precisa acertar duas vezes: na compra e na venda.

O Palmeiras criou outro caminho.

Forma internamente jogadores que podem chegar ao profissional, gerar resultado esportivo e posteriormente ser negociados.

Quando o processo funciona, o mesmo ativo produz valor em duas etapas: primeiro dentro de campo e depois no mercado.

Endrick, Estêvão, Allan e Vitor Reis são exemplos claros dessa lógica.

Mas vender também cria um custo esportivo

Existe, porém, outro lado.

Um jogador vendido deixa de estar disponível para o treinador.

A saída de Allan mostra isso claramente.

Depois da negociação com o Manchester City, Abel Ferreira afirmou que o Palmeiras precisa buscar um substituto.

Portanto, uma grande venda resolve uma parte da equação financeira, mas pode criar imediatamente uma necessidade esportiva.

O clube recebe dinheiro, porém perde um jogador importante.

Abel Ferreira pediu reposição

Depois do avanço da negociação de Allan, Abel afirmou publicamente que o Palmeiras precisaria encontrar recursos no mercado para substituir o atacante.

Isso demonstra que o modelo não pode ser analisado apenas pelo valor arrecadado.

Se o clube vende por €40 milhões e precisa gastar parte desse dinheiro em reposição, o efeito líquido sobre o elenco e o caixa muda.

A qualidade da reposição também influencia o resultado esportivo.

Palmeiras criou um ciclo econômico

O modelo pode ser resumido em um ciclo: captar → formar → desenvolver → utilizar no profissional → valorizar → vender → reinvestir.

Quando todas essas etapas funcionam, a base deixa de ser apenas um departamento esportivo.

Ela se torna parte da estratégia econômica do clube.

É isso que os R$ 2,4 bilhões ajudam a demonstrar.

Comparação precisa ser feita com cuidado

O número é enorme, mas existe uma ressalva importante.

Os R$ 2,4 bilhões não representam lucro líquido.

O levantamento considera o valor total das operações, incluindo bônus previstos.

Também existem custos de formação, comissões, mecanismos de solidariedade, impostos e outras obrigações relacionadas às negociações.

Além disso, parte dos bônus pode depender do cumprimento de metas futuras.

Portanto, a formulação correta é:

o Palmeiras contabiliza R$ 2,4 bilhões em valores de vendas diretas, e não R$ 2,4 bilhões de lucro.

Essa distinção é fundamental.

Endrick e Estêvão estabeleceram novo patamar

As operações com Endrick e Estêvão também alteraram a percepção internacional sobre a base palmeirense.

Quando grandes clubes europeus aceitam comprometer dezenas de milhões de euros com jogadores muito jovens, eles estão precificando não apenas o desempenho atual, mas o potencial futuro.

O Palmeiras conseguiu transformar esse potencial em valor econômico antes mesmo de os atletas atingirem o auge da carreira.

Depois dessas vendas, outros jogadores passaram a surgir em um ambiente no qual o mercado já conhece e monitora a Academia.

Isso ajuda a explicar por que o clube continua recebendo propostas relevantes.

R$ 2,4 bilhões mostram mudança estrutural

O dado acumulado dos últimos cinco anos não deve ser interpretado apenas como uma sequência de boas vendas.

Ele mostra uma mudança estrutural.

O Palmeiras construiu uma cadeia capaz de produzir jogadores para o elenco profissional e simultaneamente ativos para o mercado internacional.

É um modelo que depende de continuidade.

Se a geração seguinte não produzir atletas do mesmo nível, as receitas naturalmente diminuirão.

Por isso, o verdadeiro desafio não é vender Endrick, Estêvão ou Allan.

É continuar encontrando os próximos.

Conclusão

O Palmeiras atingiu €414,2 milhões, aproximadamente R$ 2,4 bilhões, em 27 vendas diretas de jogadores desde o início da gestão Leila Pereira, em 2022.

A base é o principal motor desse resultado.

Das 27 negociações, 18 envolveram Crias da Academia, o equivalente a 66%.

Mais impressionante ainda: Endrick, Estêvão, Allan, Vitor Reis e Luis Guilherme ocupam as cinco primeiras posições entre as maiores vendas do período e, juntos, representam €240,5 milhões.

O modelo oferece uma vantagem importante. Jogadores formados internamente podem contribuir esportivamente e posteriormente produzir receitas com margens contábeis superiores às de atletas adquiridos por grandes valores.

Mas os R$ 2,4 bilhões não são lucro.

O montante representa os valores totais das operações contabilizadas pelo clube, incluindo bônus, e precisa ser separado de custos, obrigações e condições contratuais.

Ainda assim, a marca evidencia uma transformação importante.

No Palmeiras atual, a Academia deixou de ser apenas fornecedora de jogadores para o time profissional.

Virou uma das engrenagens centrais do modelo econômico do clube.

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