O Atlético-MG iniciou uma nova etapa de reorganização financeira para tentar tornar sua SAF sustentável depois de anos de alto endividamento.

Segundo levantamento publicado neste sábado (17), o clube trabalha atualmente com uma dívida financeira de aproximadamente R$ 1,3 bilhão a R$ 1,4 bilhão, concentrada principalmente em débitos tributários, bancários e na Arena MRV.

Família Menin aportou R$ 530 milhões

A principal mudança ocorreu com um novo aporte dos controladores da SAF.

A Família Menin colocou R$ 530 milhões na operação, valor aprovado pelo Conselho Deliberativo do Atlético em maio.

O dinheiro foi direcionado principalmente para reduzir a dívida bancária, que estava entre R$ 625 milhões e R$ 630 milhões.

Após a operação, restaram cerca de R$ 100 milhões desse passivo.

Clube quer cortar drasticamente os juros

Esse é um dos pontos centrais do plano.

Em 2025, Atlético e Arena gastaram cerca de R$ 300 milhões apenas com juros. Para 2026, a projeção é fechar entre R$ 170 milhões e R$ 180 milhões.

A expectativa é reduzir ainda mais esse custo em 2027.

Dívida tributária também será renegociada

O Galo possui aproximadamente R$ 450 milhões em débitos tributários.

O clube negocia com a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional um novo acordo que prevê parcelamento de parte da dívida em até 145 meses, além de descontos superiores a R$ 50 milhões em juros e multas.

Outra parcela já está enquadrada em programas como Profut e Perse.

Arena MRV ainda tem R$ 230 milhões a pagar

A construção da Arena MRV também deixou uma dívida relevante.

A operação originalmente somava aproximadamente R$ 440 milhões. Depois dos pagamentos realizados, restam cerca de R$ 230 milhões.

O plano é substituir essa dívida por uma nova operação de crédito com juros menores.

O argumento do clube é que a Arena já provou capacidade de gerar receita.

Segundo os números divulgados, o estádio movimenta aproximadamente R$ 165 milhões por ano, considerando bilheteria, sócio-torcedor, eventos e naming rights.

Atlético projeta receita de R$ 800 milhões

A receita do clube deve alcançar cerca de R$ 800 milhões em 2026, depois de registrar R$ 768 milhões em 2025.

A expectativa da administração é fechar o ano com superávit operacional, ou seja, gastar menos nas operações do que arrecada.

O grande desafio continua sendo o estoque acumulado de dívida.

Por que existem números diferentes para a dívida do Atlético?

O valor depende da metodologia utilizada.

O Atlético já apresentou anteriormente um endividamento de aproximadamente R$ 1,78 bilhão considerando seus próprios critérios. Em outra metodologia, somando passivos de curto e longo prazo e descontando determinados ativos e receitas antecipadas, o ge chegou a cerca de R$ 2,19 bilhões.

Já o plano financeiro divulgado agora trabalha principalmente com os passivos bancários, tributários e ligados à Arena, que somam aproximadamente R$ 1,3 bilhão a R$ 1,4 bilhão.

Por isso, os números não devem ser tratados como necessariamente contraditórios: eles representam recortes contábeis diferentes.

Conclusão

O Atlético-MG ainda possui uma dívida muito elevada, mas mudou sua estratégia.

O foco atual é reduzir juros, refinanciar a Arena MRV, renegociar débitos tributários e usar o aumento das receitas para construir uma operação que consiga se sustentar sem novos ciclos de endividamento.

O aporte de R$ 530 milhões diminuiu parte importante da pressão bancária. Agora, o desafio será transformar essa redução de custos em equilíbrio financeiro permanente.

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