Quando o Flamengo entrar em campo nesta quinta-feira (15), em La Plata, encontrará um adversário cuja história está profundamente ligada à Libertadores.
O Estudiantes possui quatro títulos continentais — 1968, 1969, 1970 e 2009 — e foi o primeiro clube a conquistar a competição três vezes consecutivas. Mais de meio século depois do início dessa trajetória, o clube argentino está novamente em uma semifinal.
A história passa por Osvaldo Zubeldía, Juan Ramón Verón e Juan Sebastián Verón, três nomes de gerações diferentes que ajudam a explicar por que a Libertadores ocupa um lugar tão importante na identidade do clube.
Tudo começou antes da primeira Libertadores
O salto internacional do Estudiantes começou em 1967.
Sob o comando de Osvaldo Zubeldía, o clube venceu o Torneio Metropolitano ao derrotar o Racing por 3 a 0 e rompeu uma longa hegemonia dos chamados cinco grandes do futebol argentino.
Foi a base para aquilo que aconteceria no continente nos anos seguintes.
Zubeldía construiu um time reconhecido pela organização, disciplina tática e enorme capacidade competitiva. Muitos jogadores daquele elenco tinham sido formados em uma geração de base conhecida como “La Tercera que Mata”, que incluía nomes como Juan Ramón Verón, Oscar Malbernat e Ramón Aguirre Suárez.
1968: o primeiro título contra o Palmeiras
A primeira Libertadores veio em 1968.
Estudiantes e Palmeiras precisaram de três partidas para decidir o título.
Depois de uma vitória argentina por 2 a 1 em La Plata e um triunfo palmeirense por 3 a 1 no Pacaembu, o regulamento da época determinou uma partida de desempate em Montevidéu.
No Estádio Centenário, o Estudiantes venceu por 2 a 0, com gols de Juan Ramón Verón e Felipe Ribaudo, e conquistou sua primeira Libertadores em 16 de maio de 1968.
Era apenas o começo.
Estudiantes também derrubou o Manchester United
Poucos meses depois, o campeão sul-americano enfrentou o Manchester United, vencedor da Copa dos Campeões da Europa, pela Copa Intercontinental.
O Estudiantes venceu a ida por 1 a 0, na Bombonera, e empatou por 1 a 1 em Old Trafford.
O resultado transformou o time de Zubeldía em campeão mundial em 1968.
Juan Ramón Verón novamente teve papel central e marcou na partida disputada na Inglaterra. Décadas depois, seu sobrenome voltaria ao centro da história continental do clube.
1969: o bicampeonato contra o Nacional
No ano seguinte, o Estudiantes confirmou que 1968 não havia sido um episódio isolado.
Na final contra o Nacional, do Uruguai, venceu por 1 a 0 em Montevidéu e depois por 2 a 0 em La Plata.
Marcos Conigliaro e Eduardo Flores marcaram na partida decisiva.
O Estudiantes era bicampeão da Libertadores.
Juan Ramón Verón permanecia como um dos símbolos daquela geração. Na semifinal contra a Universidad Católica, por exemplo, marcou na vitória por 3 a 1 que colocou o clube novamente na decisão.
1970: três Libertadores consecutivas
Em 1970, o clube alcançou um feito ainda maior.
O Estudiantes venceu o Peñarol por 1 a 0 em La Plata, com gol de Néstor Togneri, e segurou um empate por 0 a 0 no Estádio Centenário.
Assim, tornou-se o primeiro clube da história da Libertadores a conquistar três títulos consecutivos.
Em apenas três temporadas, o time de Osvaldo Zubeldía havia transformado o Estudiantes em uma potência continental.
Aquela sequência passou a ser a origem da chamada “mística pincharrata”: a ideia de um clube capaz de crescer especialmente em jogos eliminatórios e situações de grande pressão.
A Libertadores ficou distante por quase quatro décadas
Depois da era dourada, o Estudiantes permaneceu relevante no futebol argentino, mas não voltou imediatamente ao topo da América.
A espera durou 39 anos.
Foi somente em 2009 que uma nova geração conseguiu repetir a conquista.
E havia novamente um Verón no centro da história.
Juan Sebastián Verón fecha um ciclo em 2009
Filho de Juan Ramón, Juan Sebastián Verón construiu uma carreira de destaque na Europa antes de retornar ao Estudiantes.
Em 2009, já como capitão e principal referência do time dirigido por Alejandro Sabella, conduziu o clube novamente à final da Libertadores.
O adversário era o Cruzeiro.
A primeira partida terminou 0 a 0 em La Plata. No Mineirão, o Cruzeiro abriu o placar, mas o Estudiantes virou e venceu por 2 a 1.
Depois de 39 anos, o clube conquistava sua quarta Libertadores.
Mauro Boselli terminou como artilheiro do torneio, enquanto Mariano Andújar, Rodrigo Braña, Leandro Desábato e Gastón Fernández também foram fundamentais para a campanha.
Pai e filho ligados pela mesma taça
Poucos clubes possuem uma ligação familiar tão forte com a Libertadores.
Juan Ramón Verón participou dos três títulos consecutivos entre 1968 e 1970.
Quase quatro décadas depois, Juan Sebastián Verón levantou a mesma taça como capitão em 2009.
Hoje, Juan Sebastián continua diretamente ligado ao clube como presidente.
A família Verón atravessa, portanto, praticamente toda a história internacional do Estudiantes.
2026: Estudiantes volta a uma semifinal depois de 17 anos
A campanha atual recolocou o clube entre os quatro melhores da América pela primeira vez desde o título de 2009.
Com Alexander Medina no comando, o Estudiantes chegou à semifinal depois de passar pela fase de grupos e eliminar Universidad Católica e Corinthians no mata-mata.
Agora, o adversário é o Flamengo.
O peso da camisa não garante qualquer vantagem dentro de campo, mas ajuda a explicar por que a Libertadores é tratada de maneira diferente em La Plata.
Para o Estudiantes, a competição não representa apenas uma oportunidade esportiva.
Ela faz parte da própria identidade do clube.
Conclusão
A relação entre Estudiantes e Libertadores começou com Osvaldo Zubeldía e uma geração que rompeu a hierarquia do futebol argentino antes de dominar a América.
Vieram três títulos consecutivos entre 1968 e 1970, uma Copa Intercontinental contra o Manchester United e, décadas depois, a reconquista de 2009 liderada por Juan Sebastián Verón.
São quatro Libertadores separadas por gerações, mas ligadas pela mesma identidade competitiva.
Nesta quinta-feira, contra o Flamengo, o Estudiantes inicia mais uma tentativa de acrescentar um capítulo a uma história continental construída há quase 60 anos.























