O Santos vive uma situação financeira contraditória enquanto tenta eliminar as punições que ainda o impedem de registrar novos jogadores. Ao mesmo tempo em que possui quatro transfer bans ativos na Fifa, o clube tem aproximadamente R$ 25,5 milhões em parcelas vencidas a receber de cinco equipes brasileiras.
O levantamento foi publicado nesta quinta-feira (15) pelo UOL e envolve valores de negociações com Botafogo, Vitória, Grêmio, Ceará e Fluminense.
As dívidas do Santos que sustentam os transfer bans restantes estão próximas de R$ 18 milhões, principalmente relacionadas à comissão técnica do ex-treinador Pedro Caixinha.
Quem deve dinheiro ao Santos?
Segundo a apuração do UOL, o Botafogo é o maior devedor, com aproximadamente R$ 10,55 milhões em duas pendências.
Embora os negócios específicos não tenham sido oficialmente confirmados à reportagem, os valores são associados às transferências do goleiro John e do zagueiro Jair.
Na sequência aparecem:
| Clube | Valor vencido |
| Botafogo | R$ 10,55 milhões |
| Vitória | R$ 6 milhões |
| Grêmio | R$ 5,4 milhões |
| Ceará | R$ 2,6 milhões |
| Fluminense | R$ 983 mil |
O débito do Vitória está relacionado à negociação de Lucas Braga, enquanto o valor do Grêmio envolve a transferência do lateral João Lucas.
No caso do Ceará, a pendência está ligada à compra de parte dos direitos de Vinícius Zanocelo. Já os valores do Fluminense são associados a parcelas de negociações recentes, entre elas Soteldo e Nonato.
Santos já acionou a CNRD em parte das cobranças
Com algumas parcelas fora do prazo, o Santos recorreu à Câmara Nacional de Resolução de Disputas (CNRD), da CBF, para cobrar parte dos valores.
Em outros casos, a diretoria ainda procura acordos diretamente com os clubes devedores.
Além dos R$ 25,5 milhões já vencidos, o Peixe possui aproximadamente R$ 114 milhões a receber nos próximos 12 meses em parcelas de transferências que ainda não chegaram ao vencimento.
Santos conseguiu derrubar três transfer bans
A situação melhorou parcialmente na quarta-feira (14).
O Santos havia chegado a sete transfer bans, mas a Fifa retirou três punições depois que o clube depositou pouco menos de R$ 950 mil referentes a repasses do mecanismo de solidariedade.
Com isso, restaram quatro punições ativas.
O clube, portanto, continua proibido de registrar novos jogadores enquanto não solucionar os casos restantes.
Dívida com comissão de Pedro Caixinha passa de R$ 17,5 milhões
As principais pendências estão relacionadas à antiga comissão técnica de Pedro Caixinha, demitido em abril de 2025.
Além do treinador, os auxiliares Pedro Malta e José Pratas e o preparador de goleiros José Belman acionaram a Fifa para receber valores ligados às rescisões contratuais.
Com juros e correções, a cobrança supera R$ 17,5 milhões.
Segundo a apuração do UOL, os profissionais exigem pagamento à vista e não aceitaram a proposta de parcelamento feita pelo Santos.
Novos transfer bans ainda são possíveis
Mesmo que consiga resolver os quatro processos atuais, o Santos ainda precisa administrar outras cobranças internacionais.
León, do México, e Spartak Moscou, da Rússia, acionaram a Fifa por parcelas não pagas das contratações dos zagueiros Adonis Frías e Alexis Duarte.
No caso de Alexis Duarte, a Fifa determinou o pagamento de valores referentes a parcelas atrasadas, além de juros e penalidades. O processo relacionado a Adonis Frías também envolve parcela vencida e encargos adicionais.
Por isso, o problema financeiro não termina necessariamente com a retirada das quatro sanções atuais.
O paradoxo financeiro do Santos
Os números ajudam a explicar o argumento utilizado internamente pelo clube.
O Santos tem R$ 25,5 milhões já vencidos a receber no futebol brasileiro, enquanto precisa de aproximadamente R$ 18 milhões para solucionar as principais pendências que atualmente provocam punições na Fifa.
Isso não significa, porém, que os valores possam ser compensados automaticamente.
São relações financeiras independentes: o Santos precisa receber dos seus devedores e, ao mesmo tempo, cumprir seus próprios compromissos com credores.
O problema central é, portanto, de fluxo de caixa e cumprimento dos prazos estabelecidos nos contratos.
Conclusão
A situação do Santos mostra como atrasos em transferências podem gerar um efeito em cadeia no futebol.
O clube tem R$ 25,5 milhões vencidos a receber de cinco equipes brasileiras e ainda conta com R$ 114 milhões em parcelas futuras. Mesmo assim, permanece com quatro transfer bans ativos por débitos próprios.
Depois de eliminar três sanções nesta semana, a prioridade passa a ser resolver a dívida superior a R$ 17,5 milhões com Pedro Caixinha e sua antiga comissão técnica — ao mesmo tempo em que o clube tenta recuperar valores que também deveria ter recebido.



















