O Corinthians avançou nas conversas com a Caixa Econômica Federal para tentar resolver uma das maiores questões financeiras do clube: a dívida da Neo Química Arena.
O presidente Osmar Stabile e o diretor jurídico Pedro Soares estiveram em Brasília nesta semana para negociar diretamente com representantes do banco.
Uma das alternativas discutidas é a Caixa assumir os naming rights do estádio, em uma operação que poderia ajudar o Corinthians a equacionar uma dívida atualmente estimada em R$ 664 milhões.
Ainda não existe acordo assinado.
Corinthians apresentou valuation dos naming rights
Durante a reunião, o Corinthians apresentou à Caixa um estudo sobre o valor comercial dos naming rights da Arena.
O material estima quanto a propriedade pode valer e qual seria o retorno de exposição da marca para o banco.
Segundo a apuração do UOL, a apresentação foi recebida positivamente.
A avaliação interna do Corinthians após a reunião é de que houve avanço nas conversas.
Como os naming rights poderiam ajudar a quitar a Arena?
A ideia discutida envolve utilizar recursos provenientes da negociação dos direitos de nome do estádio para reduzir ou quitar a dívida com a própria Caixa.
Hoje, o estádio leva o nome da Neo Química.
Qualquer nova operação envolvendo os naming rights dependerá, portanto, dos termos comerciais e jurídicos que forem definidos entre as partes.
O valor do contrato, sua duração e o formato da operação ainda estão em negociação.
Dívida é estimada em R$ 664 milhões
A construção da Arena foi financiada pela Caixa e permanece como um dos principais compromissos financeiros do Corinthians.
A dívida é estimada atualmente em aproximadamente R$ 664 milhões.
O clube tenta há meses encontrar uma solução para reduzir o impacto desse passivo.
Além da discussão sobre os naming rights, o Corinthians também pretende rever a forma de cálculo dos juros.
Corinthians quer trocar CDI por TLP
Outro ponto importante das conversas é o índice utilizado para calcular os juros da dívida.
Na renegociação realizada em 2023, o financiamento passou a utilizar o CDI.
Agora, o Corinthians tenta fazer com que os juros sejam novamente calculados pela Taxa de Longo Prazo (TLP).
A mudança poderia reduzir o peso financeiro da dívida ao longo do tempo.
AGU participa das negociações
O Corinthians também procurou a Advocacia-Geral da União (AGU) para auxiliar na negociação com a Caixa.
A intenção é utilizar a mediação do órgão federal para construir juridicamente uma eventual nova renegociação.
O clube entende que a participação da AGU pode ajudar a dar segurança ao acordo por envolver um banco público.
Valor da dívida também está sendo questionado
Paralelamente às negociações, o valor da dívida da Arena também está sendo analisado.
Uma perícia apresentada ao Ministério Público de São Paulo apontou diferenças relevantes entre cálculos relacionados ao financiamento.
O Ministério Público determinou que seu setor técnico refizesse as contas para verificar se existe fundamento para uma diferença de aproximadamente R$ 255,7 milhões apontada no estudo.
O próprio Corinthians, porém, não considera comprovada a tese de que a Arena estaria praticamente quitada.
Por isso, essa análise corre separadamente da negociação atual com a Caixa.
Ainda não existe acordo
Apesar do otimismo depois da reunião em Brasília, o cenário ainda exige cautela.
Não estão definidos:
valor dos naming rights;
duração de um eventual contrato;
formato da operação;
novo cálculo dos juros;
valor final reconhecido da dívida.
Portanto, a reunião representou um avanço nas negociações, mas não significa que a dívida da Arena esteja resolvida.
Conclusão
O Corinthians abriu uma nova frente para tentar solucionar a dívida da Neo Química Arena.
Depois da reunião em Brasília, a diretoria voltou otimista com a possibilidade de construir um acordo com a Caixa que pode envolver os naming rights do estádio e uma revisão das condições financeiras do contrato.
A dívida é estimada atualmente em R$ 664 milhões, enquanto outros cálculos relacionados ao financiamento também estão sendo analisados.
O passo seguinte será transformar as conversas em uma proposta formal. Até agora, porém, nenhum acordo definitivo foi assinado.



















