O Corinthians precisou recorrer antecipadamente a uma de suas principais receitas comerciais para pagar salários do elenco antes da eliminação na Libertadores.
O clube antecipou parte dos valores que ainda tinha a receber da Esportes da Sorte, patrocinadora máster, e utilizou o dinheiro para quitar os salários registrados em carteira do elenco masculino e da comissão técnica.
O pagamento aconteceu horas antes do jogo de volta contra o Estudiantes, pelas quartas de final da Libertadores.
CBF recusou novo pedido do Corinthians
Antes de recorrer ao patrocinador, o Corinthians tentou obter recursos por outra via.
Segundo apuração do UOL, a diretoria pediu à CBF uma nova antecipação financeira, mecanismo que já havia sido utilizado anteriormente pelo clube para administrar problemas de fluxo de caixa.
Em 11 de setembro, porém, a entidade recusou o novo pedido.
Sem o dinheiro da CBF, o Corinthians antecipou parte das receitas que ainda receberia da Esportes da Sorte.
Cerca de R$ 25 milhões foram pagos
O dinheiro permitiu ao Corinthians pagar aproximadamente R$ 25 milhões em salários atrasados do elenco profissional masculino e da comissão técnica.
Os vencimentos de agosto estavam atrasados havia dez dias.
O pagamento ocorreu em 16 de setembro, poucas horas antes da partida decisiva contra o Estudiantes.
O Corinthians perdeu por 1 a 0 na Neo Química Arena e foi eliminado nas quartas de final da Libertadores.
Patrocínio máster rende R$ 150 milhões por ano
O contrato com a Esportes da Sorte é uma das maiores fontes de receita do clube.
O acordo foi renovado até o final de 2029 e prevê R$ 150 milhões fixos por temporada, podendo alcançar R$ 200 milhões com bônus previstos em contrato.
Somente em 2026, o Corinthians projetou R$ 276,7 milhões em receitas provenientes das empresas ligadas ao uniforme e do contrato com a Nike.
A Esportes da Sorte representa mais da metade desse montante.
Corinthians ainda deve cerca de R$ 25 milhões ao elenco
A antecipação não resolveu definitivamente o problema financeiro.
O Corinthians voltou a atrasar os direitos de imagem do elenco profissional masculino e da comissão técnica.
Atualmente, são dois meses pendentes.
Somados os direitos de imagem e as premiações ainda não pagas pela Libertadores e por partidas do Brasileirão, a dívida com jogadores e comissão técnica está novamente próxima de R$ 25 milhões.
Parte do dinheiro também foi para o futebol feminino
A operação não beneficiou apenas o elenco masculino.
Parte dos recursos antecipados foi utilizada para pagar direitos de imagem das jogadoras do Corinthians antes da partida de ida da semifinal do Campeonato Brasileiro Feminino contra o Bahia.
As Brabas venceram o confronto por 1 a 0.
Ainda existem, porém, pendências relacionadas à Libertadores Feminina de 2025, ao Mundial de Clubes e à Supercopa do Brasil de 2026.
Clube discutiu novo empréstimo, mas operação não avançou
Outra possibilidade analisada internamente era buscar mais dinheiro com o empresário Giuliano Bertolucci.
O empresário já possui aproximadamente R$ 80 milhões a receber do Corinthians e está entre os credores envolvidos no acordo utilizado pelo clube para organizar suas dívidas.
O novo empréstimo, porém, não foi realizado.
Assim, a antecipação do patrocínio acabou sendo a alternativa utilizada para gerar caixa antes dos jogos decisivos.
Eliminação também retirou receita prevista
O problema financeiro ganhou peso adicional depois da queda na Libertadores.
Ao ser eliminado nas quartas de final, o Corinthians deixou de receber R$ 11,8 milhões que seriam garantidos apenas pela classificação para a semifinal.
Ao longo da competição, o clube havia acumulado aproximadamente R$ 25,6 milhões em premiações.
Caso chegasse ao título, a arrecadação adicional poderia ser muito maior.
Conclusão
A antecipação de parte do patrocínio máster permitiu ao Corinthians pagar aproximadamente R$ 25 milhões em salários antes do confronto decisivo contra o Estudiantes.
Mas a operação resolveu apenas parte do problema de caixa.
Depois da eliminação na Libertadores, o clube perdeu a possibilidade de novas premiações e voltou a acumular aproximadamente R$ 25 milhões em direitos de imagem e bônus pendentes com o elenco masculino.
O cenário mostra que, mesmo com um dos maiores contratos de patrocínio do futebol brasileiro, o Corinthians continua enfrentando dificuldades para equilibrar receitas, dívidas e compromissos de curto prazo.



















