Atacante do Tottenham contesta perda de direitos sobre uma mansão em Angra dos Reis. Advogado Willer Tomaz rebate acusações e pede retirada de vídeos do jogador da internet.
O atacante Richarlison, do Tottenham, apresentou documentos sobre a disputa por um imóvel na Ilha Comprida, em Angra dos Reis (RJ). Em vídeo publicado nesta quarta-feira (21), o jogador afirmou ter investido aproximadamente R$ 10 milhões na aquisição de direitos sobre uma mansão e em melhorias na propriedade.
O brasileiro acusa o advogado Willer Tomaz de ter obtido os direitos sobre o imóvel de forma irregular. Tomaz rejeita as acusações e sustenta que sua empresa realizou uma aquisição legal.
A controvérsia ganhou novos desdobramentos nesta quinta-feira (22), após a divulgação de documentos, manifestações das partes e um pedido judicial para a remoção de vídeos publicados pelo atacante.
Richarlison diz ter investido R$ 10 milhões no imóvel
Segundo Richarlison, a negociação ocorreu em outubro de 2020, em sociedade com o empresário Renato Velasco e Alencar da Silveira Júnior, ex-presidente do América-MG.
O jogador afirma que o investimento total chegou a aproximadamente R$ 10 milhões, incluindo R$ 4,66 milhões pagos a antigos ocupantes, além de reformas e despesas relacionadas à segurança do local.
Em publicação no Instagram, o atacante apresentou números de processos judiciais e documentos que, segundo sua versão, demonstram a regularidade da negociação.
O imóvel fica na Ilha Comprida, em Angra dos Reis, mas a disputa envolve direitos sobre uma área específica e sua mansão, não a propriedade privada da ilha inteira.
Por que Richarlison perdeu a posse do imóvel?
A controvérsia envolve diferentes cadeias de documentos sobre quem possuía direitos legítimos de ocupação da área.
O grupo de Richarlison afirma ter adquirido esses direitos de pessoas que ocupavam o imóvel anteriormente. Já Willer Tomaz sustenta que sua empresa, a WT Administração de Imóveis, recebeu os direitos de uma empresa que constava nos registros da Secretaria do Patrimônio da União (SPU).
A disputa passou pelo Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro e chegou ao Superior Tribunal de Justiça (STJ).
Em 2025, o STJ não reverteu a decisão favorável à empresa ligada a Tomaz. Posteriormente, uma das empresas envolvidas na disputa do lado do jogador desistiu de prosseguir com a ação.
Atualmente, os direitos de ocupação reconhecidos nos registros citados pelas reportagens estão vinculados à empresa WT Administração.
Willer Tomaz contesta documentos e pede retirada de vídeos
Após Richarlison publicar os documentos, Willer Tomaz respondeu ao jogador nas redes sociais.
O advogado afirma que os registros apresentados pelo atacante não comprovam que os antigos ocupantes possuíam os direitos necessários para transferir o imóvel.
Tomaz também divulgou documentos que, segundo ele, demonstram a regularidade da aquisição realizada por sua empresa.
Além disso, o advogado acionou a Justiça para solicitar a retirada de vídeos em que Richarlison faz acusações sobre a disputa.
O pedido de remoção não significa que a Justiça já tenha determinado a exclusão das publicações.
Qual é o envolvimento de Flávio Bolsonaro?
O nome do senador Flávio Bolsonaro apareceu na controvérsia após Richarlison afirmar que ele havia demonstrado interesse em adquirir o imóvel.
O jogador também questionou a participação do advogado Willer Tomaz, que mantém relação de amizade com o político.
Flávio Bolsonaro visitou a propriedade acompanhado de Tomaz em 2021 e foi posteriormente incluído como testemunha em um dos processos.
Entretanto, o senador não figura como parte na disputa judicial e nega ter comprado, vendido ou intermediado a negociação.
As acusações apresentadas por Richarlison são contestadas pelos citados e não constituem comprovação de participação irregular.
Lula diz ter solicitado investigação à Polícia Federal
O caso ganhou repercussão nacional depois que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva publicou um vídeo, nesta quarta-feira (21), comentando a disputa.
Lula afirmou ter solicitado à Polícia Federal uma apuração sobre as circunstâncias da transferência dos direitos do imóvel.
A manifestação do presidente não representa, por si só, uma conclusão policial sobre a existência de crime.
O caso também foi objeto de representação encaminhada ao Ministério Público Federal por um grupo que pediu a análise de possíveis irregularidades.
O que acontece agora?
Richarlison afirma que continuará buscando recuperar os direitos sobre o imóvel e questiona a diferença no tempo de análise dos procedimentos administrativos apresentados pelas partes.
Willer Tomaz mantém a posição de que sua empresa possui documentação válida e de que as decisões judiciais anteriores sustentam seus direitos.
Até a última atualização verificada nesta quinta-feira (22), não havia confirmação de uma nova decisão judicial que transferisse os direitos de ocupação ao jogador.
Conclusão
A disputa envolvendo Richarlison ultrapassou o futebol e passou a reunir questões imobiliárias, decisões judiciais e manifestações políticas.
O jogador apresentou documentos para sustentar sua versão sobre o investimento realizado em Angra dos Reis, enquanto Willer Tomaz contesta sua validade e defende a regularidade dos direitos de sua empresa.
A definição sobre eventuais irregularidades depende da análise das autoridades competentes. Por enquanto, as versões permanecem conflitantes, e não há confirmação de que Richarlison tenha recuperado o imóvel.



















