O Valencia demitiu Carlos Corberán neste domingo, 13 de setembro, depois de um início muito ruim em LaLiga.

O clube soma apenas um ponto em cinco rodadas, ocupa a última posição e decidiu encerrar também o vínculo do CEO de futebol Ron Gourlay. Óscar Sánchez, técnico do Valencia Mestalla, assume o time principal de forma interina.

Corberán foi o primeiro técnico demitido nesta LaLiga

A saída de Corberán é a primeira demissão de treinador da temporada 2026/27 da primeira divisão espanhola.

O Valencia começou o campeonato com quatro derrotas e um empate, desempenho que acelerou uma reformulação que atingiu não apenas a comissão técnica, mas também parte da estrutura esportiva do clube.

Valencia mexeu em mais do que o banco

A decisão foi ampla.

Além de Corberán, o clube encerrou o contrato de Ron Gourlay e de outros profissionais ligados à direção esportiva e à comissão técnica.

A intenção anunciada é iniciar uma nova fase na estrutura do futebol do Valencia.

Trabalho começou bem, mas terminou sob forte pressão

Corberán havia assumido o Valencia em dezembro de 2024.

Na primeira temporada, ajudou o clube a evitar o rebaixamento e depois conduziu a equipe a um nono lugar na temporada passada. No total, dirigiu o time em 72 partidas, com 28 vitórias.

O início de 2026/27, porém, mudou completamente o cenário.

Com apenas um ponto em cinco jogos e a equipe na lanterna, a diretoria decidiu encerrar o ciclo.

Espanha troca pouco; Brasil troca muito

O caso chama atenção quando comparado ao Campeonato Brasileiro.

Enquanto a LaLiga teve sua primeira demissão apenas na quinta rodada, o Brasileirão já registrou 15 mudanças de treinador até a 27ª rodada.

O contraste ajuda a mostrar diferenças importantes entre os dois mercados.

No Brasil, a troca de treinador costuma ser utilizada mais rapidamente como resposta a uma sequência negativa.

Na Espanha, mesmo clubes sob pressão normalmente mantêm o trabalho por mais tempo antes de decidir por uma mudança.

Brasileirão já teve troca desde a terceira rodada

A primeira mudança no Brasileirão 2026 aconteceu ainda depois da terceira rodada, com a saída de Jorge Sampaoli do Atlético-MG.

Desde então, vários clubes também trocaram de comando ao longo da temporada.

Esse comportamento não é novidade.

Um levantamento do CIES publicado em maio apontou que 85% dos clubes brasileiros haviam trocado de treinador ao menos uma vez nos 12 meses anteriores, colocando o Brasileirão entre as ligas com maior rotatividade do mundo.

LaLiga aparece entre as mais estáveis

No mesmo levantamento, a LaLiga estava entre os campeonatos com menor percentual de mudanças.

Apenas 40% dos clubes espanhóis haviam trocado de treinador no período analisado, percentual igual ao da Premier League e muito abaixo do registrado no Brasil.

Esse tipo de estabilidade ajuda a explicar por que a primeira demissão espanhola só apareceu depois de cinco rodadas.

O problema brasileiro é apenas impaciência?

Não necessariamente.

Existem diferenças estruturais.

No Brasileirão:

  • a pressão por resultados imediatos é muito alta;
  • existe risco de rebaixamento com impacto financeiro severo;
  • calendários são mais congestionados;
  • eleições e política interna afetam decisões;
  • mata-matas coexistem com o campeonato;
  • muitos clubes mudam projetos esportivos no meio da temporada.

Por isso, a troca de treinador funciona muitas vezes como tentativa rápida de alterar ambiente e desempenho.

Na Europa, projetos esportivos costumam ter estruturas mais centralizadas e planejamento de médio prazo mais rígido.

Trocar muito treinador melhora o resultado?

Nem sempre.

A mudança pode produzir reação imediata, mas também pode gerar:

  • perda de continuidade;
  • mudanças frequentes de modelo de jogo;
  • elencos montados para técnicos diferentes;
  • aumento de custos com multas e novas comissões;
  • dificuldade para desenvolver jogadores.

O grande desafio é separar uma troca realmente necessária de uma decisão tomada apenas pela pressão do momento.

Valencia também mudou a direção esportiva

Esse é justamente um ponto interessante no caso espanhol.

O Valencia não responsabilizou apenas Corberán.

Ron Gourlay também deixou o cargo, mostrando que o clube tratou o problema como uma falha mais ampla da estrutura esportiva e não apenas como desempenho do treinador.

Esse tipo de decisão é menos comum quando clubes simplesmente substituem o técnico e mantêm toda a estrutura ao redor.

Próximo jogo já terá interino

Óscar Sánchez assume temporariamente o primeiro time.

O próximo compromisso será contra o Deportivo Alavés, fora de casa, pela sexta rodada de LaLiga.

Enquanto isso, o Valencia trabalha na definição de uma nova estrutura esportiva e de um novo treinador.

Conclusão

A demissão de Carlos Corberán mostra que nem mesmo as ligas mais estáveis estão imunes a mudanças rápidas quando os resultados são muito ruins.

Mas o contraste com o Brasil é claro.

A LaLiga chegou à quinta rodada para registrar sua primeira troca de treinador. O Brasileirão já acumulou 15 mudanças até a 27ª.

A diferença não significa necessariamente que um modelo seja sempre melhor que o outro, mas evidencia duas culturas esportivas distintas: na Espanha, a estabilidade ainda é mais comum; no Brasil, a troca continua sendo uma das primeiras respostas à crise.

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