O 2 a 1 do Palmeiras sobre o Fluminense no Maracanã não mudou apenas a vantagem matemática da semifinal da Libertadores. O resultado também altera completamente o tipo de jogo que as duas equipes terão de fazer na próxima quarta-feira, em São Paulo.
O Palmeiras agora pode empatar para avançar. O Fluminense precisa vencer: por um gol para levar a decisão aos pênaltis ou por dois para se classificar diretamente.
Mais importante do que isso é entender como o jogo de ida mostrou caminhos — e problemas — para os dois lados.
Palmeiras mostrou que não precisa da bola para controlar o jogo
O Fluminense terminou a partida com 64% de posse de bola e 11 finalizações, contra 36% de posse e sete chutes do Palmeiras.
Mesmo assim, o time paulista colocou cinco finalizações no alvo, enquanto o Fluminense acertou quatro.
Esse contraste ajuda a explicar a partida.
O Palmeiras se organizou defensivamente em um 5-4-1, protegendo principalmente a entrada e o interior da área. A equipe permitiu que o Fluminense circulasse a bola, mas dificultou o passe final.
A estratégia funcionou a ponto de o primeiro chute palmeirense acontecer apenas nos acréscimos do primeiro tempo — e terminar no gol de Flaco López.
Ou seja: o Palmeiras produziu pouco durante boa parte da etapa, mas produziu quando conseguiu transformar recuperação de bola em ataque vertical.
A posse do Fluminense não virou ameaça suficiente
Marcão reconheceu depois da partida que sua equipe conseguiu empurrar o Palmeiras para trás, mas teve dificuldade para transformar esse domínio territorial em chances claras.
O treinador destacou que o Fluminense teve quase 70% da posse em determinados momentos e buscou variações para atacar uma defesa com três zagueiros, mas esbarrou na eficiência palmeirense.
Esse é provavelmente o principal ponto a ser corrigido para a volta.
No Maracanã, o Fluminense circulou bastante a bola lateralmente, mas encontrou dificuldades para acelerar o último passe e entrar na área.
Hulk sofreu com a marcação dos zagueiros. Savarino foi utilizado justamente para adicionar criatividade, mas o time permaneceu previsível durante longos períodos.
No Nubank Parque, apenas ter mais posse dificilmente será suficiente.
O gol de Wesley Natã mudou muito mais do que o placar
Quando o Palmeiras fez 2 a 0, a situação estava próxima de se tornar extremamente confortável.
Com dois gols de vantagem, até uma derrota por um gol na volta classificaria o time paulista.
O gol de Wesley Natã nos acréscimos eliminou essa margem.
Agora, qualquer vitória do Fluminense por um gol leva a semifinal para os pênaltis.
Taticamente, isso também impede que o Palmeiras trate o segundo jogo como uma eliminatória praticamente resolvida.
O Fluminense continua obrigado a atacar, mas não precisa buscar dois gols apenas para sobreviver.
Wesley Natã pode oferecer uma pista para Marcão
A entrada do jovem também mostrou uma característica que pode ser explorada na volta.
Enquanto boa parte do ataque tricolor tentou quebrar o bloco do Palmeiras através de circulação e combinações por dentro, Wesley Natã acrescentou um contra um, velocidade e entrada na área.
Foi justamente ele quem apareceu para marcar o gol que manteve a semifinal aberta.
Isso não significa necessariamente que será titular.
Mas Marcão já indicou que o Fluminense precisará apresentar características diferentes no segundo confronto.
Mais verticalidade, jogadores atacando a última linha e maior presença dentro da área são caminhos possíveis.
Palmeiras terá mais espaço para contra-atacar
Existe outro problema para o Fluminense.
Quanto mais precisar atacar em São Paulo, mais espaços poderá oferecer ao adversário.
E foi exatamente nessas situações que o Palmeiras criou suas melhores oportunidades no Maracanã.
Vitor Castanheira explicou depois da partida que a ideia era fechar as linhas, defender com segurança e atacar com pragmatismo quando houvesse espaço. O auxiliar também reconheceu que faltou qualidade ao Palmeiras quando teve a bola, apesar da eficiência nas transições.
No segundo tempo, as entradas de Mauricio, Felipe Anderson e Ramón Sosa aumentaram a velocidade do Palmeiras justamente quando o Fluminense começou a deixar mais campo disponível.
Na volta, esse cenário pode aparecer ainda mais cedo.
Abel Ferreira volta ao banco
Outra diferença importante será a presença de Abel Ferreira.
Suspenso no Maracanã, o português acompanhou o primeiro jogo fora do banco enquanto Vitor Castanheira comandou a equipe.
A suspensão era válida para uma partida, portanto Abel poderá dirigir o Palmeiras na volta.
Isso permite ao treinador administrar diretamente as mudanças durante uma partida em que o cenário pode variar bastante: o Palmeiras começa classificado, mas um gol do Fluminense imediatamente igualaria o confronto no agregado.
O risco para o Palmeiras é recuar demais
A vantagem cria uma tentação natural: defender o 2 a 1 durante 90 minutos.
Mas o jogo do Maracanã também deixou um alerta.
Nos períodos em que conseguiu sair da pressão e atacar, o Palmeiras criou situações mais perigosas do que quando simplesmente acumulou jogadores perto da própria área.
A equipe teve oportunidades para fazer o terceiro antes de sofrer o gol nos acréscimos.
Portanto, administrar não significa necessariamente abandonar o ataque.
Com o Fluminense obrigado a avançar, o Palmeiras pode encontrar justamente aquilo que mais gosta: campo para transições.
O histórico do estádio pesa contra o Fluminense
A missão tricolor também será disputada em um estádio no qual seu retrospecto recente é ruim.
Desde 2014, o Fluminense venceu apenas uma das últimas 11 partidas contra o Palmeiras no estádio palmeirense, segundo levantamento do UOL.
O dado não decide uma semifinal, mas mostra o tamanho do desafio.
Além de precisar vencer, o Fluminense terá de fazê-lo em um ambiente onde o Palmeiras costuma apresentar desempenho forte como mandante.
Conclusão
O primeiro jogo deixou uma conclusão clara: a posse de bola não foi o fator decisivo da semifinal.
O Fluminense controlou território, mas teve dificuldade para transformar controle em oportunidades. O Palmeiras aceitou jogar sem a bola, protegeu a área e foi muito mais eficiente quando conseguiu acelerar.
Para a volta, Marcão precisará encontrar mais verticalidade e agressividade sem expor demais a defesa.
Abel Ferreira, por outro lado, terá de evitar que a vantagem transforme o Palmeiras em uma equipe excessivamente passiva.
O placar de 2 a 1 favorece o Palmeiras. Mas o gol de Wesley Natã garantiu que a semifinal continue suficientemente aberta para obrigar os dois times a jogarem — e não apenas administrarem — os últimos 90 minutos.




















