Uma mudança nas regras do futebol transformou a demora dos goleiros em uma oportunidade de gol para os adversários. Desde 2025, quando um goleiro segura a bola por mais de oito segundos, o árbitro deve marcar escanteio para a equipe adversária.
A regra ganhou destaque no Brasileirão nesta quinta-feira (8), durante a goleada do Fluminense por 4 a 0 sobre o Coritiba, no Maracanã.
O goleiro Pedro Rangel demorou 12 segundos para repor a bola. O árbitro marcou escanteio, e Savarino aproveitou a cobrança para abrir o placar.
O que aconteceu em Fluminense x Coritiba?
Aos 29 minutos do primeiro tempo, Pedro Rangel, goleiro do Coritiba, ficou com a bola nas mãos por mais tempo do que o permitido.
A arbitragem identificou que o jogador havia ultrapassado o limite de oito segundos e concedeu um escanteio ao Fluminense.
Hulk cobrou, a bola chegou a Savarino e o venezuelano finalizou. O chute desviou em Rodrigo Moledo antes de entrar.
O gol abriu caminho para a vitória por 4 a 0, que terminou com três gols de Savarino e colocou o Fluminense na terceira posição do Brasileirão.
Como funciona a regra dos oito segundos?
A regra é simples: o goleiro pode controlar a bola com as mãos ou braços por, no máximo, oito segundos dentro da própria área.
A contagem começa quando o árbitro considera que o goleiro estabeleceu o controle da bola.
Nos cinco segundos finais, o árbitro deve levantar uma das mãos e realizar uma contagem regressiva visual.
Se o goleiro ultrapassar o limite, o adversário recebe um escanteio.
A cobrança acontece no lado do campo mais próximo da posição do goleiro no momento da infração.
Por que a regra foi criada?
O objetivo é combater a chamada cera, quando uma equipe tenta reduzir o tempo efetivo de jogo segurando a bola ou atrasando as reposições.
Antes da mudança, a regra permitia que os goleiros segurassem a bola por até seis segundos.
Caso ultrapassassem esse tempo, a punição prevista era um tiro livre indireto dentro da área.
Na prática, porém, essa infração raramente era marcada.
A International Football Association Board (IFAB), responsável pelas regras do futebol, decidiu modificar o procedimento para facilitar a aplicação da punição.
A nova regra entrou em vigor em 1º de julho de 2025, depois de testes realizados em diferentes competições.
O goleiro recebe cartão amarelo?
Não necessariamente.
Quando um goleiro ultrapassa o limite de oito segundos, a punição normal é apenas o escanteio.
O cartão amarelo pode ser aplicado quando o jogador comete a infração repetidamente.
Isso significa que a primeira ocorrência não provoca automaticamente uma advertência disciplinar.
Quais situações entram na contagem?
A regra considera que o goleiro está controlando a bola quando:
- Segura a bola com uma ou ambas as mãos.
- Mantém a bola entre a mão e o próprio corpo ou o chão.
- Segura a bola com a mão aberta.
- Quica a bola no gramado.
- Lança a bola para cima e volta a segurá-la.
Um detalhe importante: quicar a bola no chão não reinicia a contagem.
O tempo continua correndo enquanto o goleiro mantém o controle com as mãos ou braços.
E se um adversário impedir a reposição?
Existe uma exceção importante.
Se um atacante atrapalhar deliberadamente o goleiro e impedir a reposição, o árbitro não deve simplesmente punir o goleiro por ultrapassar os oito segundos.
Nesse caso, a arbitragem precisa avaliar a infração cometida pelo adversário.
Dependendo da situação, o jogo pode ser reiniciado com uma cobrança de falta a favor da equipe do goleiro.
A regra realmente mudou o futebol?
O lance entre Fluminense e Coritiba demonstra como uma infração aparentemente pequena pode influenciar uma partida.
O Coritiba não sofreu o gol diretamente pela demora do goleiro, mas perdeu a posse de bola e concedeu uma oportunidade ofensiva ao adversário.
O Fluminense aproveitou a cobrança e abriu o placar.
A mudança também exige mais atenção dos goleiros, que precisam organizar a reposição rapidamente, sem ultrapassar o tempo permitido.
Além de reduzir interrupções, a regra pode modificar o comportamento das equipes que costumam utilizar a posse de bola do goleiro para controlar o ritmo das partidas.
Conclusão
A regra dos oito segundos representa uma das mudanças recentes mais importantes para combater a perda de tempo no futebol.
O caso de Pedro Rangel, na derrota do Coritiba para o Fluminense, mostrou que a punição pode ter consequências imediatas no placar.
Com a nova interpretação, segurar a bola por tempo excessivo deixou de ser apenas uma maneira de atrasar o jogo e passou a representar um risco real para a própria equipe.

























