O empate por 1 a 1 com a Austrália não entregou ao Brasil o resultado esperado, mas ajudou Carlo Ancelotti a iniciar uma etapa importante de seu trabalho na Seleção.
Com jogadores jovens, estreantes e uma formação diferente daquela utilizada na Copa do Mundo, o treinador começou a ampliar suas opções pensando nos próximos anos.
O primeiro teste deixou alguns sinais claros: o Brasil ainda precisa melhorar a construção ofensiva, mas Ancelotti ganhou alternativas e viu o banco mudar a partida.
Austrália dificultou a construção brasileira
O Brasil não controlou o início da partida.
A Austrália conseguiu ter mais posse nos primeiros minutos e pressionou a saída brasileira, dificultando a progressão pelo meio.
A Seleção melhorou a partir da metade do primeiro tempo, principalmente quando Raphinha, Estêvão e Vinícius Júnior começaram a encontrar espaços.
Mesmo assim, faltou transformar a posse no campo ofensivo em oportunidades mais claras.
Foi um problema reconhecido pelo próprio Ancelotti depois do jogo.
Brasil chegou, mas faltou eficiência
A Seleção teve momentos de superioridade e chegou a colocar a bola na rede antes do intervalo.
Estêvão marcou depois de uma recuperação de Endrick, mas o VAR identificou falta de Bruno Guimarães no início da jogada e anulou o gol.
No segundo tempo, o Brasil voltou melhor e criou oportunidades antes de sofrer o gol de Irankunda.
A questão central não foi simplesmente falta de volume ofensivo.
O Brasil teve dificuldade para transformar seus melhores momentos em gols.
Endrick teve função importante sem marcar
Endrick começou como referência ofensiva.
O atacante tentou pressionar a saída adversária, atacar a área e participar das recuperações de bola no campo ofensivo.
Foi justamente uma pressão do camisa 9 que originou a jogada do gol anulado de Estêvão.
Mas a partida também mostrou que o ataque brasileiro ainda precisa desenvolver mecanismos mais consistentes para colocar seu centroavante em condições de finalizar.
Ter Endrick em campo não significa automaticamente criar oportunidades para Endrick.
Esse será um dos pontos a serem desenvolvidos durante os próximos testes.
Estêvão segue como alternativa importante
Estêvão novamente mostrou capacidade para atacar espaços e aparecer perto da área.
Além do gol anulado, participou de algumas das melhores movimentações ofensivas brasileiras.
A presença simultânea de Estêvão, Raphinha e Vinícius Júnior ofereceu velocidade e capacidade individual.
Por outro lado, o Brasil ainda precisa encontrar uma maneira de transformar essa quantidade de jogadores ofensivos em maior presença dentro da área.
Banco resolveu o problema
Talvez o principal sinal positivo para Ancelotti tenha vindo das substituições.
O treinador utilizou Pedro, Samuel Lino, Rayan, Mauro Júnior e Jair Cunha durante a segunda etapa.
Rayan entrou no lugar de Estêvão e acabou fazendo o gol do empate aos 49 minutos.
A jogada também teve participação de outro titular importante: Raphinha cobrou o escanteio e Rayan venceu pelo alto.
Ter alternativas capazes de mudar partidas é um dos objetivos desta sequência de amistosos.
Bola parada apareceu como arma
O gol de Rayan não aconteceu por acaso.
O próprio atacante revelou depois da partida que a Seleção havia treinado aquele tipo de cobrança nos dias anteriores.
Em uma equipe que ainda está construindo novos mecanismos ofensivos, a bola parada pode se transformar em uma ferramenta importante.
Contra adversários fechados ou em jogos equilibrados, esse tipo de recurso pode decidir partidas.
Matheuzinho e Vitor Reis ganharam minutos
Ancelotti também utilizou o jogo para observar jogadores menos experientes na Seleção.
Matheuzinho e Vitor Reis estrearam como titulares pela equipe principal.
Isso ajuda a explicar por que o desempenho coletivo ainda apresentou oscilações.
O Brasil não está simplesmente tentando encontrar onze titulares.
O objetivo desta Data Fifa também é descobrir quais jogadores podem aumentar a profundidade do elenco para os próximos anos.
Ancelotti não considera trabalho um novo começo
Existe ainda uma nuance importante na forma como o treinador interpreta esta etapa.
Depois da partida, Ancelotti afirmou que não considera o momento exatamente o início de um novo ciclo.
Para o italiano, trata-se da continuidade do trabalho anterior, agora com maior espaço para observar jogadores jovens e atletas que tiveram poucos minutos.
A diferença é que o horizonte mudou.
A Seleção agora começa a trabalhar pensando principalmente na Copa América de 2028 e na Copa do Mundo de 2030.
Segundo jogo pode trazer mudanças
Brasil e Austrália voltam a se enfrentar na terça-feira (29), em Brisbane.
Esse segundo confronto permitirá uma comparação direta.
Ancelotti poderá modificar jogadores e funções diante do mesmo adversário e avaliar como a equipe responde.
Depois, o Brasil enfrenta a Índia em 3 de outubro.
São partidas que oferecem ao treinador algo difícil de encontrar durante uma competição: espaço para experimentar.
Conclusão
O 1 a 1 com a Austrália mostrou um Brasil ainda em construção, principalmente quando precisa transformar posse e talento individual em oportunidades claras.
Mas também entregou informações úteis a Carlo Ancelotti.
Estêvão mostrou novamente capacidade de desequilíbrio, Endrick participou da pressão ofensiva, novos defensores ganharam minutos e Rayan mostrou que o banco pode oferecer soluções.
O resultado foi apenas um empate.
Neste momento, porém, o trabalho da Seleção não está restrito ao placar.
Ancelotti está tentando descobrir quantas alternativas realmente possui para montar o Brasil que chegará à Copa América de 2028 e, principalmente, à Copa do Mundo de 2030.

























