Verdão conquistava 75,92% dos pontos antes da pausa e caiu para 52,38% desde a retomada; sequência de jogos, lesões, mudanças no elenco e perda de solidez defensiva ajudam a explicar momento menos dominante da equipe de Abel Ferreira
O Palmeiras continua na liderança do Campeonato Brasileiro de 2026, mas os números mostram que o desempenho da equipe mudou consideravelmente depois da pausa para a Copa do Mundo.
Antes da interrupção do campeonato, o time comandado por Abel Ferreira havia conquistado 41 dos 54 pontos disponíveis, com aproveitamento de 75,92%.
Depois da retomada, considerando os sete jogos disputados pelo Brasileirão, foram 11 pontos em 21 possíveis, equivalente a 52,38% de aproveitamento.
A diferença representa uma queda de mais de 23 pontos percentuais.
O impacto já aparece diretamente na disputa pelo título. Há quatro rodadas, o Palmeiras possuía oito pontos de vantagem sobre o Flamengo. Depois do empate por 1 a 1 contra o Mirassol no último domingo, essa distância caiu para quatro.
O Palmeiras tem 52 pontos, enquanto o Flamengo aparece com 48 e ainda possui uma partida a menos.
Portanto, a liderança permanece, mas a margem de segurança diminuiu.
O que aconteceu com o Palmeiras depois da Copa?
Não existe uma única explicação para a queda.
O período pós-Copa reuniu diferentes fatores: calendário mais pesado, lesões, mudanças importantes no elenco, desgaste físico, oscilações individuais e uma defesa menos consistente do que aquela apresentada na primeira parte do Brasileirão.
O Palmeiras também passou a dividir suas atenções entre diferentes competições.
Além do Brasileiro, continua envolvido na Copa do Brasil e na Libertadores.
Na prática, Abel Ferreira precisa administrar rendimento, recuperação física e disponibilidade de jogadores enquanto enfrenta partidas decisivas em intervalos cada vez menores.
Aproveitamento caiu de 75,92% para 52,38%
A comparação mais clara aparece na pontuação.
Antes da Copa, o Palmeiras disputou 18 partidas pelo Brasileirão e conquistou 41 pontos.
O aproveitamento foi de 75,92%.
Depois da retomada, disputou sete partidas e conquistou 11 pontos.
O aproveitamento caiu para 52,38%.
Isso significa que o Palmeiras passou de uma campanha com ritmo extremamente forte de campeão para um período de rendimento mais próximo ao de equipes que disputam posições abaixo da liderança.
A diferença ainda não custou o primeiro lugar porque a vantagem construída anteriormente era grande.
Mas a gordura diminuiu.
Queda em casa é ainda maior
Existe um número ainda mais significativo.
Antes da pausa para a Copa, o Palmeiras disputou nove partidas como mandante no Brasileirão.
Foram sete vitórias e dois empates, sem nenhuma derrota.
O aproveitamento dentro de casa era de 85,18%.
Depois da Copa, o clube disputou três partidas como mandante pelo Brasileiro e conseguiu uma vitória, um empate e uma derrota.
O aproveitamento caiu para 44,44%.
É uma mudança considerável para uma equipe que historicamente utiliza a força como mandante como um dos principais pilares de suas campanhas.
Palmeiras perdeu quase metade da vantagem sobre o Flamengo
A consequência mais importante está na classificação.
Há quatro rodadas, o Palmeiras chegou a possuir oito pontos de vantagem sobre o Flamengo.
Agora são quatro.
O Verdão lidera com 52 pontos.
O Flamengo possui 48.
Mas existe outro detalhe importante: o clube carioca ainda tem uma partida a menos.
O jogo atrasado será contra o Mirassol, nesta quarta-feira, 2 de setembro.
Caso o Flamengo vença, chegará a 51 pontos.
Nesse cenário, a diferença para o Palmeiras cairá para apenas um ponto.
A liderança que parecia confortável algumas rodadas atrás pode se transformar rapidamente em uma disputa praticamente empatada.
Empate com Mirassol aumentou o alerta
O resultado mais recente ajudou a aumentar a percepção de queda.
No domingo, Palmeiras e Mirassol empataram por 1 a 1.
Flaco López marcou para o Verdão, enquanto Negueba fez o gol do Mirassol.
O Palmeiras não conseguiu apresentar durante os 90 minutos o nível de controle normalmente associado ao líder do campeonato.
Depois da partida, Abel Ferreira mencionou desgaste e reconheceu dificuldades da equipe.
O empate também teve peso maior porque o Flamengo havia vencido o Botafogo por 3 a 0.
Em uma única rodada, a distância entre os dois candidatos ao título diminuiu.
Calendário passou a pesar mais
Um dos fatores apontados para a queda é a sequência de partidas.
O Palmeiras atravessou agosto disputando compromissos importantes em diferentes competições.
O elenco precisou lidar simultaneamente com Brasileirão, Copa do Brasil e Libertadores.
Isso reduz o tempo de recuperação.
Também diminui a quantidade de treinamentos disponíveis para corrigir problemas táticos.
Quando uma equipe joga praticamente a cada três ou quatro dias, boa parte do trabalho entre partidas passa a ser dedicada à recuperação física.
Para Abel Ferreira, isso significa menos tempo para ajustar posicionamentos e testar alternativas.
Palmeiras continua vivo em três competições
Apesar da queda no Brasileirão, é importante observar o contexto completo.
O Palmeiras continua disputando três títulos importantes.
É líder do Campeonato Brasileiro.
Está nas quartas de final da Copa do Brasil.
E permanece vivo na Libertadores.
Na Copa do Brasil, inclusive, construiu uma vantagem importante ao vencer o Santos por 3 a 0 no primeiro jogo das quartas.
Nesta quarta-feira, enfrenta novamente o Peixe, agora na Vila Belmiro.
Poucos dias depois, encara o Botafogo pelo Brasileirão.
Na sequência, terá compromisso contra a LDU pela Libertadores.
O calendário ajuda a explicar por que a gestão física ganhou tanta importância.
Lesões diminuíram opções de Abel Ferreira
O problema não está apenas no número de partidas.
O Palmeiras também perdeu jogadores importantes por lesão.
Jhon Arias sofreu uma lesão muscular na região posterior da coxa direita e virou desfalque.
Piquerez apresentou edema na coxa.
Paulinho também enfrentou problemas físicos.
Quando jogadores com características específicas ficam indisponíveis, Abel precisa reorganizar funções.
Nem sempre existe no banco uma reposição com exatamente o mesmo perfil.
Esse aspecto foi citado como uma das razões para a perda de fluidez em determinados jogos.
Saída de Allan também modifica o ataque
O elenco também está mudando durante a própria disputa pelo título.
Allan deixou o Palmeiras para defender o Manchester City.
O acordo foi fechado por € 40 milhões, sendo € 37,5 milhões fixos e € 2,5 milhões previstos em bônus.
O atacante vinha sendo uma opção importante para Abel Ferreira.
Sua saída não significa apenas perder um jogador numericamente.
O Palmeiras perde uma característica.
Allan oferecia aceleração, condução e capacidade para atacar espaços.
Sem ele, algumas combinações ofensivas precisam ser reorganizadas.
Riquelme Fillipi também está de saída
Além de Allan, Riquelme Fillipi está próximo de deixar o clube para atuar no Inter Miami.
Riquelme tinha menos espaço no profissional, portanto o impacto imediato é menor.
Mesmo assim, são duas opções ofensivas deixando o elenco praticamente no mesmo momento.
A diretoria, porém, não pretende contratar simplesmente para preencher vagas.
A avaliação interna é de que qualquer novo jogador precisa representar ganho real de qualidade.
Essa postura evita contratações por impulso, mas aumenta a necessidade de recuperar os atletas que já estão no elenco.
Defesa perdeu parte da solidez
Outro ponto importante está no comportamento defensivo.
O Palmeiras do primeiro semestre conseguia controlar melhor os espaços e dificultava a chegada dos adversários.
Depois da Copa, essa segurança diminuiu em alguns jogos.
A marcação pelos lados do campo passou a apresentar problemas.
Quando laterais e pontas não conseguem coordenar pressão e cobertura, surgem espaços que obrigam zagueiros e volantes a se deslocarem.
Esses movimentos podem desorganizar toda a estrutura.
Para uma equipe que disputa o título em pontos corridos, recuperar consistência defensiva costuma ser tão importante quanto melhorar o ataque.
Não é apenas uma questão de marcar mais gols
Uma leitura superficial poderia apontar apenas para necessidade de maior produção ofensiva.
Mas o problema é mais amplo.
O Palmeiras precisa recuperar a capacidade de controlar partidas.
Isso envolve posse de bola, posicionamento, pressão depois da perda e ocupação dos espaços.
Nos melhores momentos da equipe, o adversário tem dificuldade para sair do próprio campo.
Quando essa pressão perde intensidade, o Palmeiras passa a correr mais para trás e aumenta o desgaste.
Portanto, recuperar a intensidade sem comprometer fisicamente o elenco é um dos desafios de Abel.
Alguns jogadores também vivem oscilações
Em uma temporada longa, quedas individuais são naturais.
O problema aparece quando diferentes jogadores oscilam simultaneamente.
O Palmeiras possui um elenco tecnicamente forte, mas depende da recuperação de atletas que estavam apresentando rendimento superior no primeiro semestre.
Esse processo não exige necessariamente uma reformulação.
Exige recuperar desempenho.
É uma diferença importante.
O time que liderou o campeonato antes da Copa continua, em grande parte, disponível.
O desafio é fazer essa estrutura voltar a funcionar no mesmo nível.
Flaco López segue sendo uma referência ofensiva
Mesmo no empate contra o Mirassol, Flaco López voltou a marcar.
O atacante continua sendo uma das principais referências ofensivas da equipe.
Sua capacidade de jogar dentro da área oferece ao Palmeiras uma alternativa direta.
Mas depender apenas da presença do centroavante pode tornar o ataque previsível.
Para recuperar fluidez, Abel precisa aumentar novamente a participação dos jogadores ao redor de Flaco.
Quando o Palmeiras consegue atacar com diferentes jogadores chegando à área, a marcação adversária encontra mais dificuldade para concentrar atenção no argentino.
Meio-campo precisa voltar a controlar partidas
O setor intermediário também possui papel decisivo.
Andreas Pereira, Marlon Freitas, Lucas Evangelista e outros jogadores oferecem diferentes características.
O Palmeiras precisa encontrar o equilíbrio entre circulação de bola e agressividade.
Se os meio-campistas recebem muito atrás, o time demora para chegar ao ataque.
Se avançam cedo demais, deixam espaço para transições.
Esse equilíbrio foi uma das principais virtudes do time durante os períodos de maior domínio.
Recuperá-lo será essencial para a sequência do campeonato.
Queda não significa crise
Apesar dos números, existe uma diferença entre queda de rendimento e crise.
O Palmeiras continua líder do Brasileirão.
Possui vantagem de três gols na Copa do Brasil.
Está vivo na Libertadores.
Abel Ferreira tem contrato renovado até o final de 2027 e respaldo da diretoria.
Portanto, não existe atualmente um cenário de ruptura.
A questão é esportiva.
O desempenho caiu e os adversários se aproximaram.
Isso exige correções, mas não necessariamente uma mudança radical de projeto.
O primeiro semestre também foi excepcional
Existe outro elemento importante na comparação.
O aproveitamento de 75,92% antes da Copa era extremamente alto.
Manter esse ritmo durante todo o campeonato seria difícil para qualquer equipe.
Uma queda estatística, portanto, era possível.
O problema para o Palmeiras não é simplesmente ter deixado de conquistar três em cada quatro pontos.
É que a redução aconteceu ao mesmo tempo em que o Flamengo voltou a se aproximar.
Em um campeonato disputado por dois elencos fortes, pequenas sequências de tropeços mudam rapidamente a classificação.
Flamengo aumenta a pressão
O Flamengo venceu o Botafogo por 3 a 0 e chegou aos 48 pontos.
Samuel Lino marcou duas vezes, enquanto Carrascal completou o placar.
Além da vitória, o clube carioca possui o jogo atrasado contra o Mirassol.
Isso coloca pressão adicional sobre o Palmeiras.
Se o Flamengo vencer, chegará a 51 pontos antes da próxima partida do Verdão pelo Brasileiro.
A liderança continuará palmeirense, mas por margem mínima.
A disputa pelo título entraria praticamente em igualdade.
Próximos jogos podem mostrar se queda é passageira
O Palmeiras terá uma sequência importante para responder.
Primeiro enfrenta o Santos nesta quarta-feira pela Copa do Brasil, na Vila Belmiro, carregando vantagem de 3 a 0.
Depois visita o Botafogo, no domingo, pelo Brasileirão.
Na sequência, recebe a LDU pela Libertadores.
São partidas em três competições diferentes em poucos dias.
O desempenho nesse período ajudará a mostrar se a queda pós-Copa foi apenas uma oscilação ou se existem problemas estruturais que exigem mudanças maiores.
Comparação antes e depois da Copa
| Indicador no Brasileirão | Antes da Copa | Depois da Copa |
| Pontos disputados | 54 | 21 |
| Pontos conquistados | 41 | 11 |
| Aproveitamento | 75,92% | 52,38% |
| Aproveitamento como mandante | 85,18% | 44,44% |
| Situação | Liderança confortável | Liderança pressionada |
Os números não significam que o Palmeiras deixou de ser candidato ao título.
Mostram que a margem para erros diminuiu.
O que Abel Ferreira precisa corrigir?
A primeira necessidade é recuperar jogadores fisicamente.
A segunda é devolver solidez defensiva à equipe.
A terceira é encontrar novas soluções ofensivas depois das mudanças no elenco.
Também será necessário administrar o calendário.
Abel não pode simplesmente escalar os mesmos jogadores em todas as partidas sem considerar desgaste.
Ao mesmo tempo, rodar demais o elenco pode reduzir entrosamento.
É justamente esse equilíbrio que costuma separar equipes competitivas de campeões quando a temporada entra na fase decisiva.
Palmeiras ainda depende apenas de si
Apesar de toda a pressão, existe um ponto fundamental.
O Palmeiras continua líder.
Isso significa que ainda controla seu próprio caminho no campeonato.
Não precisa torcer por tropeços do Flamengo para assumir a primeira colocação.
Precisa voltar a vencer com regularidade.
A vantagem construída no primeiro semestre permitiu absorver a queda recente sem perder a liderança.
Agora, porém, essa margem está praticamente consumida.
Conclusão
O Palmeiras continua sendo o líder do Campeonato Brasileiro, mas a comparação entre os períodos antes e depois da Copa do Mundo mostra uma mudança clara de rendimento.
O aproveitamento caiu de 75,92% para 52,38%, enquanto o desempenho como mandante passou de 85,18% para 44,44%.
A consequência aparece diretamente na classificação. A vantagem sobre o Flamengo, que chegou a oito pontos há quatro rodadas, agora é de quatro, e o rival ainda possui uma partida a menos.
Não existe um único responsável pela queda. Calendário pesado, lesões, desgaste, mudanças no elenco, oscilações individuais e menor solidez defensiva aparecem simultaneamente.
Isso também não significa que o Palmeiras esteja em crise. O clube continua liderando o Brasileirão e disputando Copa do Brasil e Libertadores.
O alerta está em outro ponto: a vantagem construída no primeiro semestre praticamente desapareceu.
Abel Ferreira não precisa reconstruir o Palmeiras do zero. Precisa fazer o time recuperar características que já apresentou nesta própria temporada.
A partir de agora, cada tropeço terá um peso muito maior na disputa pelo título.



















