Média passou de 52min54s para 55min29s nos nove primeiros jogos da 23ª rodada; pacote contra cera estabelece novos limites para goleiros, laterais, substituições e atendimentos médicos

As novas regras adotadas pela Confederação Brasileira de Futebol para combater a cera apresentaram um primeiro resultado positivo no Campeonato Brasileiro. Nos nove primeiros jogos da 23ª rodada, a média de bola rolando subiu para 55 minutos e 29 segundos por partida.

Antes da paralisação para a Copa do Mundo de 2026, o Brasileirão registrava uma média de 52 minutos e 54 segundos de tempo efetivo. O crescimento inicial foi de 2 minutos e 35 segundos por jogo, aproximadamente 4,9%.

O pacote começou a ser aplicado na Série A no último fim de semana e estabelece limites para cobranças de laterais, tiros de meta, substituições e atendimentos médicos. As medidas também restringem as reclamações coletivas contra a arbitragem e ampliam algumas possibilidades de atuação do VAR.

A própria CBF, entretanto, reconhece que ainda é cedo para concluir que o crescimento será permanente. O levantamento inicial considera nove partidas e ainda não incluía Internacional x Remo, confronto que encerrou a 23ª rodada na segunda-feira (17).

Quanto aumentou o tempo de bola rolando?

Os dados divulgados pela CBF mostram uma evolução relevante no primeiro fim de semana de aplicação das novas regras.

Período analisadoMédia de bola rolando
Brasileirão antes da Copa do Mundo52min54s
Nove primeiros jogos da 23ª rodada55min29s
Aumento inicial2min35s
Crescimento percentualAproximadamente 4,9%
Meta de curto prazo da CBFEntre 57 e 58 minutos
Meta de longo prazoAproximadamente 60 minutos

A nova média ficou 1 minuto e 31 segundos abaixo da meta inicial de 57 minutos estabelecida pela CBF.

Em um cenário de 380 partidas no Campeonato Brasileiro, um aumento médio de 2 minutos e 35 segundos representaria aproximadamente 16 horas adicionais de bola em jogo ao longo de toda a competição.

O cálculo é apenas uma projeção. O resultado real dependerá da manutenção dos índices durante várias rodadas.

Quais são as novas regras do Brasileirão?

CBF e clubes aprovaram um pacote de dez medidas. Nove delas começaram a ser incorporadas imediatamente às competições nacionais, enquanto uma ampliação do VAR entrará em vigor somente em 2027.

  1. Goleiro tem oito segundos com a bola nas mãos

Depois de controlar a bola com as mãos, o goleiro possui até oito segundos para realizar a reposição.

O árbitro deverá indicar visualmente a contagem dos segundos finais. Se o goleiro ultrapassar o limite, o adversário receberá um escanteio.

Antes da mudança, a infração era punida com tiro livre indireto. Como essa marcação era pouco aplicada, a expectativa é de que a concessão de um escanteio seja mais simples e produza um efeito maior contra a demora.

  1. Cinco segundos para cobrança do lateral

Quando o árbitro identificar que uma equipe está retardando deliberadamente um arremesso lateral, deverá interromper a demora e iniciar uma contagem visual de cinco segundos.

Se a cobrança não for realizada dentro do limite, o lateral será revertido para o adversário.

A contagem não começa automaticamente toda vez que a bola sai. O árbitro deverá primeiro identificar a tentativa de atrasar o reinício e autorizar a contagem.

  1. Cinco segundos para cobrar o tiro de meta

O procedimento será semelhante no tiro de meta.

Ao perceber atraso proposital, o árbitro apitará e iniciará uma contagem regressiva de cinco segundos. Se a cobrança não for executada, será marcado escanteio para o adversário.

A regra procura reduzir uma das formas mais comuns de cera, especialmente nos minutos finais de partidas equilibradas.

  1. Dez segundos para sair durante uma substituição

O jogador substituído terá dez segundos para deixar o campo depois que o quarto árbitro levantar a placa da alteração.

O atleta deverá sair pelo ponto mais próximo, salvo orientação diferente da arbitragem por questões de segurança ou organização da partida.

Se o substituído retardar deliberadamente sua saída, o novo jogador terá de esperar um minuto e uma nova paralisação para entrar. Durante esse período, a equipe permanecerá com um atleta a menos.

Jogadores que estiverem claramente lesionados e sem condições de deixar o gramado rapidamente poderão ser tratados como exceção.

  1. Um minuto fora depois de atendimento médico

O atleta que receber atendimento médico dentro de campo deverá sair e permanecer fora da partida por pelo menos um minuto depois do reinício.

Anteriormente, o jogador poderia retornar assim que recebesse autorização do árbitro. Isso permitia que algumas equipes utilizassem supostas lesões para interromper o ritmo da partida sem uma consequência esportiva significativa.

Com a nova orientação, pedir atendimento deixa a equipe temporariamente com um jogador a menos.

As exceções previstas nas regras do futebol, como atendimentos decorrentes de uma falta que resulte em cartão para o adversário, ainda precisam ser consideradas pela arbitragem.

  1. Atendimento ao goleiro retira um jogador de linha

O goleiro normalmente não precisa deixar o campo depois de receber atendimento. Para evitar que essa exceção seja utilizada para transmitir instruções ou atrasar a partida, a CBF adotou uma compensação.

Quando o goleiro for atendido dentro do gramado, um jogador de linha da mesma equipe deverá permanecer fora por um minuto.

O treinador terá dez segundos para indicar o atleta. Se não houver indicação, o capitão poderá ser retirado. Caso o goleiro também seja o capitão, será utilizado o procedimento previamente definido pela arbitragem.

A medida não foi aplicada da mesma forma durante toda a Copa do Mundo, mas foi incorporada ao protocolo brasileiro.

  1. Somente o capitão poderá falar com o árbitro

O árbitro poderá fazer um sinal de “X” com os braços para indicar que somente os capitães estão autorizados a se aproximar.

Os demais jogadores deverão permanecer afastados, evitando o chamado “bolinho” ao redor da arbitragem.

Atletas que ignorarem a orientação poderão receber cartão amarelo.

A medida não proíbe todo tipo de comunicação entre árbitro e jogadores. O objetivo é impedir reclamações coletivas, pressão física e cercamento após decisões polêmicas.

  1. Cobrir a boca em discussão pode provocar expulsão

O chamado “Protocolo Vini Jr.” prevê cartão vermelho para o jogador, reserva ou atleta substituído que cobrir deliberadamente a boca durante uma comunicação provocativa, depreciativa ou inflamatória com um adversário.

A medida busca permitir que as imagens identifiquem possíveis ofensas, incluindo manifestações discriminatórias.

Isso não significa que qualquer jogador que cubra a boca será automaticamente expulso. A punição está relacionada ao gesto realizado durante uma discussão ou comunicação provocativa com o adversário.

  1. VAR poderá corrigir segundo cartão amarelo

O VAR passa a ter autorização para intervir quando um jogador receber incorretamente o segundo cartão amarelo e, como consequência, for expulso.

A mudança não permite que o VAR revise todos os cartões amarelos da partida.

A intervenção ocorre especificamente quando o segundo amarelo provoca a expulsão e as imagens demonstram um erro objetivo na identificação da infração ou do jogador punido.

  1. VAR poderá revisar determinados escanteios em 2027

A partir de 2027, o VAR também poderá corrigir um escanteio concedido de maneira equivocada quando a cobrança resultar diretamente em gol ou pênalti.

Essa regra ainda não está sendo aplicada no Campeonato Brasileiro de 2026.

A revisão não acontecerá em todos os escanteios. A atuação estará limitada aos casos em que uma cobrança marcada incorretamente tiver consequência direta em um lance decisivo.

Resumo das novas regras e punições

SituaçãoLimite ou orientaçãoPunição
Goleiro com a bola nas mãosOito segundosEscanteio para o adversário
Cobrança de lateral com atrasoCinco segundos após início da contagemReversão do lateral
Tiro de meta com atrasoCinco segundos após início da contagemEscanteio para o adversário
Saída em substituiçãoDez segundosSubstituto espera um minuto
Atendimento a jogador de linhaUm minuto foraEquipe joga temporariamente com um a menos
Atendimento ao goleiroUm jogador de linha sai por um minutoEquipe joga temporariamente com um a menos
Reclamação coletivaSomente capitão pode se aproximarPossibilidade de cartão amarelo
Boca coberta em discussão provocativaConduta proibidaCartão vermelho
Segundo amarelo incorretoRevisão permitida pelo VARCartão pode ser cancelado
Escanteio incorreto com consequência diretaSomente a partir de 2027Revisão pelo VAR

Ranking de bola rolando na 23ª rodada

Athletico-PR x Red Bull Bragantino apresentou o maior tempo de bola rolando entre as nove partidas inicialmente analisadas pela CBF. O jogo teve 60 minutos e 18 segundos de tempo efetivo.

Vasco x Santos registrou o menor índice, com 48 minutos e 58 segundos.

PosiçãoPartidaDuração totalBola rolando
Athletico-PR 1 x 1 Red Bull Bragantino97min04s60min18s
São Paulo 1 x 1 Coritiba97min49s58min30s
Atlético-MG 3 x 0 Grêmio97min05s57min16s
Corinthians 1 x 2 Cruzeiro99min23s56min57s
Chapecoense 3 x 3 Bahia99min06s56min39s
Mirassol 1 x 5 Flamengo94min30s55min43s
Vitória 1 x 0 Botafogo99min35s52min45s
Fluminense 3 x 2 Palmeiras100min29s52min12s
Vasco 0 x 3 Santos99min05s48min58s

Os dados mostram que seis dos nove jogos ultrapassaram a média anterior do Campeonato Brasileiro. Três atingiram ou superaram a meta inicial de 57 minutos da CBF.

Internacional x Remo, disputado na segunda-feira, ainda não aparecia no levantamento oficial divulgado após os jogos do fim de semana.

Brasileirão já tem mais bola rolando que as ligas europeias?

A média inicial de 55 minutos e 29 segundos ficou ligeiramente acima de alguns dos números apresentados pela CBF para campeonatos europeus.

CompetiçãoMédia de bola rolando
MLS57min12s
Bundesliga56min18s
Campeonato Francês56min17s
Brasileirão após nove jogos com as novas regras55min29s
Premier League55min23s
Campeonato Espanhol55min09s
Campeonato Italiano54min28s
Brasileirão antes das mudanças52min54s
Série B antes das mudanças51min09s
Campeonato Argentino50min02s

Apesar da comparação, ainda não é correto afirmar que o Brasileirão definitivamente superou as principais ligas europeias.

A nova média brasileira considera somente nove partidas de uma rodada. Os números das outras competições abrangem períodos maiores. Para uma comparação equilibrada, será necessário acompanhar várias rodadas do Campeonato Brasileiro.

O primeiro resultado mostra uma evolução, mas ainda não uma tendência consolidada.

Novas regras já foram aplicadas em campo

A primeira rodada do novo protocolo apresentou situações práticas.

Sinal de “X” em Fluminense x Palmeiras

Durante Fluminense x Palmeiras, o árbitro Anderson Daronco utilizou o sinal de “X” depois de uma reclamação por possível pênalti.

A partir da sinalização, somente os capitães poderiam se aproximar. Os demais jogadores deveriam permanecer afastados.

Neymar ficou fora depois de atendimento ao goleiro

Na partida entre Vasco e Santos, o goleiro Gabriel Brazão recebeu atendimento médico. Pela nova orientação, um jogador de linha do Santos precisou deixar temporariamente o campo.

Neymar foi o atleta indicado e permaneceu fora por um minuto. Posteriormente, o próprio atacante também precisou cumprir o período depois de receber atendimento.

Primeira expulsão pelo Protocolo Vini Jr.

Arthur Cabral, do Botafogo, recebeu cartão vermelho após cobrir a boca durante uma discussão com o técnico Jair Ventura depois da partida contra o Vitória.

O episódio marcou uma das primeiras aplicações do protocolo no futebol brasileiro.

Contagem para substituições

Atlético-MG x Grêmio apresentou a aplicação do limite de dez segundos para a saída de um jogador substituído.

O procedimento demonstrou que a demora poderá deixar a equipe temporariamente com um atleta a menos.

As mudanças diminuem os acréscimos?

O objetivo principal não é simplesmente aumentar os acréscimos, mas evitar que o tempo seja perdido.

Uma partida pode ultrapassar 100 minutos e ainda apresentar pouco tempo efetivo se houver muitas faltas, atendimentos, revisões e atrasos nas reposições.

Na primeira rodada com o novo protocolo, oito dos nove jogos analisados tiveram duração total entre 94min30s e 99min35s. Somente Fluminense x Palmeiras ultrapassou os 100 minutos, chegando a 100min29s.

Isso indica que o crescimento da bola rolando não aconteceu apenas por causa de acréscimos maiores. Parte do avanço veio da redução das paralisações e da maior velocidade nos reinícios.

Por que o Brasileirão tinha tão pouco tempo efetivo?

Um estudo da CBF identificou quatro áreas com potencial para recuperar aproximadamente 6 minutos e 22 segundos por partida:

  • 3 minutos e 23 segundos relacionados a faltas;
  • 1 minuto e 53 segundos nas reposições de bola;
  • 50 segundos em atendimentos médicos;
  • 16 segundos em procedimentos do VAR.

A entidade também identificou demora em substituições, cobranças de laterais e tiros de meta.

O problema não depende apenas da criação de limites. Para manter o crescimento, a arbitragem precisará padronizar a aplicação e evitar que a tolerância varie de uma partida para outra.

Clubes, jogadores e comissões técnicas também terão de adaptar comportamentos utilizados durante anos para controlar o ritmo dos jogos.

Flamengo liderava o ranking antes das mudanças

Antes da aplicação das novas regras, o Flamengo liderava o ranking de tempo de bola rolando no Campeonato Brasileiro.

PosiçãoClubeMédia de bola rolando
Flamengo57min39s
Chapecoense54min55s
Grêmio54min39s
Vasco54min35s
Fluminense54min33s
Bahia53min47s
Mirassol53min38s
Palmeiras53min32s
Atlético-MG53min15s
10ºRemo52min34s
11ºCoritiba52min31s
12ºInternacional52min27s
13ºSão Paulo52min19s
14ºSantos51min45s
15ºBotafogo51min40s
16ºAthletico-PR51min30s
17ºCruzeiro51min29s
18ºVitória50min48s
19ºCorinthians50min35s
20ºRed Bull Bragantino50min01s

O ranking considera o tempo médio das partidas de cada equipe, e não apenas o período em que o clube permaneceu com a posse da bola.

A posição de um time também é influenciada pelo comportamento dos adversários enfrentados.

Em quais competições as regras serão aplicadas?

As orientações foram confirmadas para diferentes competições organizadas pela CBF:

  • Campeonato Brasileiro Série A;
  • Campeonato Brasileiro Série B;
  • Copa do Brasil masculina;
  • Copa do Brasil feminina;
  • Campeonato Brasileiro Feminino A1.

Na Série A, o pacote estreou na 23ª rodada. A Série B começa a aplicar as novas orientações nesta terça-feira, 18 de agosto.

Parte dessas medidas também já havia sido testada na Copa do Mundo de 2026 e passou a aparecer nas competições organizadas pela Conmebol.

O resultado inicial é suficiente?

Não. A evolução de 52min54s para 55min29s é positiva, mas ainda representa uma amostra muito pequena.

Para avaliar o efeito real, será necessário observar:

  • manutenção da média nas próximas rodadas;
  • uniformidade entre diferentes árbitros;
  • comportamento dos clubes em partidas decisivas;
  • aplicação das punições nos minutos finais;
  • quantidade de cartões provocados pelas novas regras;
  • efeito sobre os acréscimos;
  • possíveis tentativas de contornar os novos limites.

As primeiras rodadas também podem apresentar maior atenção de jogadores e arbitragem. O desafio será manter a fiscalização depois que a novidade deixar de ocupar o centro das discussões.

Perguntas frequentes sobre as novas regras do Brasileirão

Qual é o tempo médio de bola rolando no Brasileirão?

Nos nove primeiros jogos da 23ª rodada, a média chegou a 55 minutos e 29 segundos. Antes das mudanças, o campeonato registrava 52 minutos e 54 segundos.

Quanto tempo o goleiro pode ficar com a bola nas mãos?

O goleiro tem até oito segundos. Se ultrapassar o limite, o adversário recebe um escanteio.

Todo tiro de meta precisa ser cobrado em cinco segundos?

A contagem é iniciada quando o árbitro identifica atraso deliberado e sinaliza o começo do período de cinco segundos.

O que acontece se o jogador demorar para sair na substituição?

O substituto terá de aguardar um minuto e uma nova paralisação para entrar. A equipe permanecerá temporariamente com um jogador a menos.

Jogador atendido fica quanto tempo fora?

O atleta deverá permanecer fora por pelo menos um minuto após o reinício da partida.

O que acontece quando o goleiro recebe atendimento?

Um jogador de linha da mesma equipe deverá ficar fora por um minuto.

Somente o capitão pode falar com o árbitro?

Quando o árbitro ativar o protocolo com o sinal de “X”, somente os capitães poderão se aproximar. Outros jogadores poderão ser advertidos se ignorarem a orientação.

Cobrir a boca sempre provoca cartão vermelho?

Não. A punição está relacionada ao gesto deliberado durante uma comunicação provocativa, depreciativa ou inflamatória com um adversário.

O VAR poderá revisar qualquer cartão amarelo?

Não. A nova possibilidade está relacionada ao segundo amarelo que provoca uma expulsão.

O VAR já pode revisar escanteios?

Não no Brasileirão de 2026. Essa ampliação foi aprovada para entrar em vigor em 2027 e será limitada a escanteios incorretos que resultem diretamente em gol ou pênalti.

Primeiro balanço indica avanço, mas exige continuidade

A estreia das novas regras produziu um aumento de aproximadamente 4,9% no tempo efetivo do Campeonato Brasileiro. O resultado aproxima a competição da meta inicial estabelecida pela CBF e mostra que medidas simples podem reduzir parte da cera.

O principal desafio será garantir consistência. Se cada árbitro adotar um critério diferente, os jogadores não terão uma referência clara e o efeito poderá desaparecer ao longo das rodadas.

A CBF também precisará divulgar os números regularmente. Somente uma sequência maior de partidas permitirá avaliar se o campeonato realmente se tornou mais dinâmico ou se o crescimento da 23ª rodada foi circunstancial.

O primeiro sinal é positivo. A confirmação dependerá do que acontecer nas próximas semanas.

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